Morte de crianças em guerra civil na Síria cresce 50%, diz Unicef

Morte de crianças em guerra civil na Síria cresce 50%, diz Unicef

ONG projeta que os números de 2018 devem ser ainda piores em virtude de tendência de conflito se tornar cada vez mais urbano

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

12 Março 2018 | 12h39

GENEBRA - Às vésperas do oitavo aniversário da guerra civil na Síria, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou nesta segunda-feira, 12, um relatório no qual afirma que o número de crianças mortas no conflito cresceu 50% em 2017 na comparação com 2016. Foi o ano mais violento para crianças desde o início do conflito. A Unicef, que cita dados do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) projeta que os números de 2018 devem ser ainda piores.

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Segundo a entidade, isso deve ocorrer porque há uma tendência de os conflitos serem "cada vez mais urbanos e em zonas com alta densidade de habitantes". Apenas nos dois primeiros meses do ano, mil crianças foram mortas ou feridas. O conflito também já se transformou no principal motivo de mortes entre adolescentes.  

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) ainda destaca que, em fevereiro mais de 200 crianças morreram nos bombardeios do regime sírio e as forças aliadas na região de Ghouta Oriental, controlada por jihadistas. 20% das vítimas no local seriam menores.  

A mesma entidade revelou nesta segunda-feira que 511 mil pessoas podem ter morrido desde 2011 com a guerra. 350 mil deles já foram identificados. A ONGtambém aponta que 85% dessas mortes foram cometidas pelo regime de Bashar Al Assad e seus aliados. 

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No total, a Unicef considera 3,3 milhões de crianças estão expostas aos dispositivos explosivos por todo o país, o que representa um risco até para que saiam de casa. Dos 6,1 milhões de sírios obrigados a deixar suas casas, 2,8 milhões são menores.  

Num cenário de intensificação do conflito, a entidade destaca que a infância tem sido uma das vítimas mais claras da guerra. Só em 2017, 244 crianças foram presas e 961 recrutadas para lutar, um número três vezes superior ao que exista em 2015. Um a cada quatro menores lutando tem menos de 15 anos de idade.  

A Unicef classifica como crianças todos aqueles com até 17 anos.  

"Saí para brincar na neve com meus primos. Caiu uma bomba. Vi as mãos do meu primo voarem diante de mim. Perdi minhas pernas. Dois de meus primos morreram e outro perdeu suas pernas”, conta o menor”, conta Sami, uma das crianças em um campo de refugiados. 

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Segundo o diretor regional da Unicef, Geert Cappelaere, 360 crianças foram feridas no ano passado, deixando muitas sem pernas ou braços. De acordo com ele, esses são os números que a ONU conseguiu confirmar. Mas admite que o total de vítimas seja ainda maior.  

A Unicef ainda cita como há uma tendência cada vez mais clara dos grupos armados em focar seus ataques contra instalações civis. Apenas no ano passado, 175 escolas foram atacadas, “dizimando o sistema educacional do país”. 

A entidade ainda citou as conclusões da Comissão de Inquérito sobre a Síria que apontam que entre outubro e novembro de 2017, um “numero alarmante de escolas e creches” foram bombardeadas, causando a morte de várias crianças. Dezenas de outras foram fechadas, deixando “milhares de crianças sem educação”. Apenas no dia 8 de novembro, três escolas foram alvos de ataques aéreos. 

Outra estratégia identificada pela Comissão tem sido a destruição de hospitais, impossibilitado que feridos e crianças sejam socorridos. Em alguns locais de Ghouta, os médicos passaram a usar apenas o porão do hospital para fazer cirurgias e atender pacientes, na esperança de evitar o impacto das bombas.  Médicos entrevistados pelos investigadores apontam que os ataques são represálias ao fato de estarem atendendo a população do enclave sob ataque.  

“Entre 14 e 17 de novembro, 84 pessoas morreram e outras 659 foram feridas. Na tarde do dia 20 de novembro, quando hospitais estavam lotados de feridos, bombas foram lançadas por forças do governo a partir de Al-Maliha”, destaca o informe. Num desses ataques, uma mulher e seus quatro filhos foram mortos. “Tais ataques constituem uma crime de guerra ao colocar como alvo intencional objetivos protegidos”, conclui.

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