Morte de embaixador não muda planos de Obama

Apesar de perder Richard Holbrooke, presidente manterá calendário de retirada das tropas do [br]Afeganistão

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2010 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, confirmará seu plano de iniciar a retirada das tropas americanas do Afeganistão em junho de 2011 e de transferir gradualmente a responsabilidade pela segurança do país ao governo afegão até 2014. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, a decisão foi reiterada em reunião com 20 colaboradores, diplomatas e militares para avaliar o primeiro ano de adoção da estratégia afegã.

O encontro ocorreu ontem, no dia seguinte à morte do embaixador Richard Holbrooke, enviado especial para Afeganistão e Paquistão. De acordo com Gibbs, a avaliação de ontem foi sobre o sucesso das operações de combate ao Taleban nos últimos dois meses, sobre a estratégia para derrotar a Al-Qaeda na região e sobre a transferência da segurança do país aos afegãos.

Os EUA mantêm no país quase 100 mil soldados. Este ano, porém, vários países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) começaram a retirar-se do Afeganistão.

Apesar do progresso das recentes prisões de líderes insurgentes e da recuperação de importantes áreas da província de Helmand, das cercanias de Kandahar e de Marja, as agências de inteligência dos EUA alertaram o Senado sobre as dificuldades ainda presentes no Afeganistão.

Com exceção de Helmand e Kandahar, o restante do país ainda estaria vulnerável à infiltração Taleban ou sob controle do grupo. A vitória americana depende da decisão do Paquistão de não mais proteger os insurgentes.

A perda de Holbrooke, aos 69 anos, traz outro revés para a estratégia dos EUA. Chamado de "gigante da política externa americana" por Obama, Holbrooke foi responsável por pressionar o presidente afegão, Hamid Karzai, a assumir o controle da segurança do país e a combater a corrupção. Seus argumentos foram igualmente relevantes para pressionar Obama a enviar mais tropas ao país, em 2009.

Considerado brilhante, Holbrooke trabalhou com todos os presidentes democratas americanos desde os anos 60. Atuou durante a Guerra do Vietnã, na delegação americana que elaborou o acordo de paz, e foi o responsável pela negociação do fim da Guerra da Bósnia, nos anos 90. Holbrooke morreu após uma cirurgia cardíaca de 21 horas.

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