REUTERS/Fernando Carranza
REUTERS/Fernando Carranza

Morte de homem sob custódia da polícia gera tumultos no México

Protestos pela morte de Giovanni López, de 30 anos, acabou em confronto entre policiais e manifestantes.

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 11h44

CIDADE DO MÉXICO - Um protesto pela morte de um homem que estava sob custódia da polícia terminou em tumulto na quinta-feira, 4, na cidade de Guadalajara, no México. Manifestantes atearam fogo em viaturas da polícia, ferindo um agente de segurança pública. Segundo informações oficiais do governo mexicano, 27 pessoas foram detidas.

Giovanni López, de 30 anos, foi morto no início de maio na cidade de Ixtlahuacán (estado de Jalisco, no oeste do país), mas seus parentes denunciaram o caso apenas esta semana. O homem havia sido preso por supostamente descumprir as medidas para evitar infecções por covid-19 e morreu sob custódia policial.

Dezenas de pessoas foram às ruas para exigir justiça no caso de López. O protesto ficou violento quando homens encapuzados picharam prédios, atearam fogo em um policial, incendiaram duas patrulhas e causaram danos ao prédio do governo estadual. Na sequência, foram dispersados pela polícia.

"Uma manifestação legítima e uma reivindicação justa, invadida por interesses de outra natureza. O que vimos foi um ato de violência que nunca tínhamos visto em nossa cidade", declarou o governador de Jalisco, Enrique Alfaro, em um vídeo transmitido quinta-feira à noite.

O Ministério Público informou que investiga a morte de López, que, segundo este órgão, teria sido detido pela polícia municipal por "má conduta administrativa", e não porque não usava máscara. O MP mexicano acrescentou que o homem morreu por golpes infligidos pela polícia municipal, e não por ferimentos com arma de fogo.

"Ele foi preso por má conduta administrativa, porque foi agressivo contra a autoridade sob a influência de alguma substância", disse o coordenador-geral de Segurança de Jalisco, Macedonio Tamez, em entrevista coletiva. O governador Enrique Alfaro garantiu que os culpados serão punidos.

Ontem, o premiado cineasta mexicano Guillermo del Toro expressou sua indignação pela morte de Giovanni López. "Por mais de um mês, não há respostas, não há detenções. Não é abuso de autoridade (...) É sem sentido - a loucura absoluta - é que ocorra um assassinato em nome de um assunto de saúde pública", escreveu Del Toro na sua conta do Twitter.

O vencedor do Oscar em 2018 por "A forma da água" já havia criticado o governo de Jalisco, seu estado natal, em abril, por supostos abusos cometidos pela autoridade policial contra cidadãos sob o pretexto de não usarem máscaras para impedir a propagação do novo coronavírus.

Um vídeo gravado por um irmão do falecido, transmitido nas redes sociais, mostra a prisão de López. Na gravação, uma mulher questiona se o motivo é porque ela não estava usando uma máscara.

A família informou que o prefeito local, Eduardo Cervantes, ofereceu-lhes 200.000 pesos (cerca de R$ 45.000) para que não compartilhassem o vídeo.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no México condenou a morte de López e expressou preocupação com as alegações de que o óbito ocorreu "no contexto da implementação de medidas para a pandemia".

Já a a Subsecretaria de Direitos Humanos, População e Migração, do Ministério do Interior, afirmou que já solicitou informações das pastas de investigação, "devido ao provável uso excessivo da força pública no caso". Com 120 milhões de habitantes, o México registra 105.680 casos confirmados de coronavírus e 12.545 mortes./ AFP

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