Morte de imigrantes reforça pedido da Itália por ajuda da UE

Governo de Matteo Renzi vai assumir a presidência rotativa do bloco e quer discutir a chegada de imigrantes ilegais 

O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2014 | 11h48

ROMA - A morte de pelo menos 30 imigrantes que viajavam em um barco do norte da África até o sul da Itália reforçar a reivindicação de Roma por mais contribuição de seus parceiros da União Europeia.

A tragédia ocorre um dia antes de a Itália assumir a presidência rotativa da UE. Nas últimas semanas, o país insistiu que não pode atuar sozinho na operação de ajuda e resgate de imigrantes procedentes da África.

Desde a sexta-feira 27, a marinha italiana socorreu cinco mil imigrantes. Neste ano, foram 67.696 imigrantes ilegais resgatados no Canal da Sicília, segundo os últimos dados oficiais. Todos foram salvos pelo dispositivo Mare Nostrum, aprovado em outubro após um naufrágio no qual morreram 366 pessoas em Lampedusa.

Uma vez resgatadas pela Marinha, os imigrantes são habitualmente transferidos aos portos militares do sul do país para receber assistência sanitária. Trata-se de uma chegada em massa sem precedentes que colapsa os municípios italianos, afirmou o responsável de imigração da Associação Nacional de Municípios da Itália (ANCI), Giorgio Pighi.

"Se antes chegavam à Itália 10 pessoas por dia, agora chegam milhares. Este número requer um sacrifício grande por parte dos municípios e nem todos estão dispostos a realizá-lo, especialmente no sul, onde são mais reticentes", disse Pighi.

A maior parte dos imigrantes solicitam usar o direito de asilo. "A maioria das pessoas são refugiados que buscam proteção frente aos conflitos armados. Sobretudo, são somalis e sírios que fogem da guerra", explicou o responsável da Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) na Itália, Carlotta Sami.

Em 2011 chegaram à Itália 330 sírios, em 2013 o número aumentou para 11.300. As pessoas pedem asilo em toda Europa, principalmente na França e na Alemanha, acrescentou Sami.

O processo até o reconhecimento do direito de asilo pode durar entre 6 meses e um ano, dependendo do país. "O problema é que muitos (imigrantes) não querem se identificar na Itália porque preferem fazer isso no Estado onde pedirão asilo e outros alargam o processo até que seja atribuído o destino que querem. Tudo isso cria uma dificuldade que os municípios italianos não podem enfrentar sozinhos", explica Pighi.

Com a chegada de centenas de imigrantes a cada dia, as Prefeituras se veem obrigadas a abrigar os refugiados em igrejas próximas, como na Sicília, onde as paróquias e outros centros religiosos dão alojamento atualmente a mais de 550 imigrantes ilegais.

"A Sicília arca com quase a totalidade dos fluxos migratórios, não repartem estas pessoas pelo resto de portos nacionais", disse o vice-presidente de ANCI na Sicília, Paolo Amenta.

Augusta, Pozzallo e Portogallo são os portos da ilha italiana onde chegam mais pessoas, um problema para a Sicília não só pela escassez de espaço, afirmou Amenta, mas pelo alto custo que representa à comunidade.

A Itália pediu em diversas ocasiões ajuda à UE para enfrentar a crise e, sem dúvida, será um dos temas chave que o governo de Matteo Renzi incluirá em seu programa para os próximos seis meses, como presidente da UE.

"O ministro do Interior, com quem falei em diversas ocasiões, assegurou que o Conselho de Ministros italiano tem intenção de pôr em evidência este problema em Bruxelas para que seja resolvido por toda a UE, como único Estado", disse Pighi. / EFE

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