Morte de jovem estuprada gera protestos na Índia

Milhares de manifestantes ocuparam neste sábado as ruas de Nova Délhi, após ser anunciada a morte da mulher que foi estuprada e espancada em um ônibus em movimento na capital da Índia há quase duas semanas. A jovem de 23 anos, que havia sido transferida na quinta-feira para um hospital em Cingapura, não resistiu aos ferimentos e morreu nas primeiras horas deste sábado (horário local). As pessoas exigem maior proteção para as mulheres contra a violência sexual. A polícia indiana informou que seis suspeitos de terem estuprado e espancado a jovem foram detidos e neste sábado formalmente acusados de homicídio. Se condenados, eles poderão ser executados. A Índia aplica a pena de morte em condenados por homicídio, mas não em condenados por estupro.

AE, Agência Estado

29 de dezembro de 2012 | 17h53

As acusações foram feitas após a jovem ter morrido. O porta-voz da polícia de Nova Délhi, Rajan Bhagat, disse que os seis poderão ser condenados à pena de morte. O caso levou a protestos generalizados na Índia, que ficou chocada com a barbaridade do crime. Além disso, levou a uma mobilização da sociedade contra o estupro, crime endêmico no país.

O primeiro-ministro Manmohan Singh disse que estava ciente das emoções que o ataque provocou e que cabe agora a todos os indianos garantir que a morte da jovem não tenha sido em vão. Já a policia pediu calma aos manifestantes e informou que só iria admitir protestos pacíficos. A polícia frequentemente se recusa a aceitar queixas das vítimas de estupro e poucos acusados acabam sendo detidos e levados aos tribunais.

A jovem e um amigo, que não foi identificado, estavam em um ônibus em Nova Délhi após terem ido ao cinema no final da tarde de 16 de dezembro, quando foram atacados por seis homens. Os seis estupraram a jovem. Depois, o casal foi espancado e os criminosos enfiaram uma barra de ferro no corpo da mulher, o que resultou em ferimentos graves nos órgãos internos. As duas vítimas foram jogadas nuas do ônibus em movimento, de acordo com a polícia. O motorista do ônibus foi detido.

Quando a notícia da morte da vítima chegou neste sábado a Nova Délhi, a polícia fechou a área central da capital próxima à residência do primeiro-ministro. A multidão pôde se reunir pacificamente para protestar nas áreas de Jantar Mantar e Ramilla, normalmente usadas para passeatas em Nova Délhi. Os manifestantes pediram que o estupro passe a ser punido com a pena de morte. Atualmente, a pena máxima para o crime de estupro na Índia é a prisão perpétua.

Tragédia no Punjab

As autoridades do Estado do Punjab, no norte da Índia, finalmente tomaram medidas neste sábado afastando um policial e demitindo outros dois, sob acusações de que eles deliberadamente atrasaram as investigações e não tomaram medidas para deter acusados de terem estuprado uma jovem de 18 anos. A jovem foi violentada por uma gangue em 13 de novembro e denunciou o crime à polícia no dia 27 do mês passado. Desesperada com a falta de ação da polícia, a jovem tomou veneno e morreu na última quinta-feira (27). Apenas na noite da quinta-feira (27) os três homens acusados do estupro foram detidos, um mês após o crime ser denunciado.

A agência de notícias Press Trust of India reportou que a jovem, citando fontes da polícia, foi assediada por policiais, que não tomaram nenhuma medida contra os acusados no momento em que denunciou o estupro. As informações são da Associated Press.

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