Morte de Kim Jong-il deixa diplomacia americana sob alerta

Regime norte-coreano fez testes com mísseis deixando Coreia do Sul sob alerta.

BBC Brasil, BBC

19 de dezembro de 2011 | 21h31

A morte do líder norte-coreano Kim Jong-il acendeu a luz amarela no Departamento de Estado americano nesta segunda-feira. O presidente Barack Obama telefonou para o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak e diplomatas dos Estados Unidos estão fazendo contatos com aliados asiáticos.

No dia em que a morte de Kim foi anunciada, a Coreia do Norte realizou testes com mísseis, segundo autoridades da Coreia do Sul, mantendo em alerta a nação vizinha. Os dois países estão tecnicamente em guerra, uma vez que não houve acordo de paz após o término dos conflitos da Guerra da Coreia (1950-1953).

Os Estados Unidos, que lutaram ao lado dos sul-coreanos no conflito, mantêm 28 mil tropas estacionadas em uma base militar na Coreia do Sul. A tensão militar é um dos últimos resquícios da Guerra Fria.

Durante os atritos entre os Norte e o Sul, registrados nos últimos meses, os americanos mantiveram o compromisso de apoiar o governo de Seul em um eventual confronto com o regime comunista de Pyongyang.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também se encontrou nesta segunda-feira com o colega japonês, Koichiro Gemba, em Washington. O Japão é um aliado importante dos americanos no conflito entre as duas Coreias.

Durante o governo do ex-presidente George W. Bush, a Coreia do Norte foi incluída no chamado "eixo do mal", em virtude dos testes nucleares que causaram preocupação na Ásia.

O único grande aliado de Pyongyang é a China, para onde Kim Jong-il viajou com frequência nos últimos anos. Os chineses também lutaram ao lado dos norte-coreanos durante a Guerra da Coreia.

Incertezas

Para o especialista Gordon Flake, que assessorou Obama durante a campanha presidencial, "no curto prazo, há o risco de que a Coreia do Norte reaja de maneira beligerante".

"Mas no longo prazo, não acho que haverá porque lamentar a morte Kim Jong-il", disse, em entrevista à Associated Press.

Apesar das "provocações" da Coreia do Norte nos últimos anos, os EUA têm mantido cautela e até silenciado em relação ao regime de Pyongyang.

A expectativa entre diplomatas americanos era a de que a relação com Pyongyang pudesse melhorar com a perspectiva de uma eventual ajuda humanitária americana frente à crise de escassez de comida que vive o país.

Mas se o comportamento de Kim Jong-il era de certa forma previsível, a provável subida ao poder de seu filho, Kim Jong-un, só faz aumentar as incertezas.

Para Bruce Klingner, da Heritage Foundation, "a morte de Kim Jong-il possivelmente irá atrasar a retomada das negociações até que a nova liderança norte-coreana dê mostras sobre o grau em que estará aberta ao mundo exterior".

"Ainda que o falecimento de Kim Jong-il seja uma oportunidade para mudança na península coreana, é uma transição envolta de incerteza, nervosismo e perigo em potencial", disse.

Campanha

A morte do líder norte-coreano também virou tema da campanha dos pré-candidatos republicanos.

Newt Gingrich, que disputa a indicação para o partido, disse que "o mundo é perigoso" e aproveitou o fato para criticar Obama.

"Precisamos de uma defesa forte. Precisamos de um presidente que entenda o que significa ser comandante em chefe".

Sucessão

O líder da Coreia do Norte morreu aos 69 anos, segundo anúncio feito nesta segunda-feira pela televisão estatal do país.

De acordo com o anúncio, Kim Jong-il, que liderava o país comunista desde a morte de seu pai em 1994, morreu em um trem enquanto visitava uma área próxima da capital, Pyongyang.

O governo do país informou que o filho do líder, Kim Jong-un será seu "grande sucessor" e pediu união aos norte-coreanos.

Até agora, porém, pouco se sabe sobre o filho mais novo de Kim Jong-il - que comandava o regime norte-coreano desde 1994 - com sua terceira esposa, Ko Yong-hui, que também já morreu.

Também surgiram especulações sobre o homem que está sendo considerado como o "poder por trás do trono", Chang Song-taek, marido da irmã de Kim Jong-il e diretor do departamento administrativo do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte.

Alguns analistas afirmam que ele poderá ser o "regente" até que Kim Jong-un esteja pronto para governar a Coreia do Norte sozinho. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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