Morte de Kirchner torna sucessão imprevisível, dizem analistas

Principal força política do governo, ele estava cotado para ser o candidato em outubro de 2011

LUIZ RAATZ E JOÃO COSCELLI- ESTADÃO.COM.BR,

27 de outubro de 2010 | 15h58

SÃO PAULO - A morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, vítima de um ataque cardíaco fulminante nesta quarta-feira, 27, tornou imprevisível a sucessão presidencial no país, avaliam analistas ouvidos pelo estadão.com.br e pela Agência Estado.

Veja também:

documento Perfil: De líder estudantil a presidente

mais imagens Galeria de fotos: Nestor Kirchner (1950-2010)

especial Especial: A trajetória de Nestor Kirchner

blog Radar Econômico: morte causa euforia no mercado

Principal força política do governo da presidente Cristina Kirchner, Néstor, deputado e líder do Partido Justicialista (peronista), estava cotado para ser candidato à sucessão de sua mulher na eleição de outubro do ano que vem.

"O cenário não é muito favorável à Cristina Kirchner. Há uma mobilização de tendências dentro do próprio partido do governo, mas é difícil construir um cenário com precisão", explica o professor Paulo Edgar Almeida Resende, coordenador do Núcleo de Análise de Conjuntura Internacional da PUC São Paulo.

Para o cientista político Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), a oposição, porém, não tem capacidade de mostrar um nome forte para a sucessão, o que favorece Cristina Kirchner.

"É difícil saber como vai afetar a sucessão presidencial.A morte dele coloca uma série de questões que só nos próximos meses serão respondidas", diz.

De acordo com o cientista político argentino e diretor do Centro de Estudos União para a Nova Maioria, Rosendo Fraga, mesmo com problemas de saúde, Kirchner não estava disposto a ceder em seu objetivo de ser candidato a presidente no ano que vem.

"A questão agora é saber se Cristina terá a mesma capacidade de manter alinhado o PJ, partido que dá sinais de independência dos dissidentes", afirma.

Já um relatório do banco de investimentos Goldman Sachs diz que a  morte de Kirchner introduz incerteza política expressiva no país. 

"Agora é mais provável que a presidente Cristina Kirchner tente a reeleição (mas sem a valiosa contribuição nem a esteira política de um experimentado estrategista) e uma reforma do ministério nos próximos meses não pode ser descartada", dizem os analistas do banco.

Colaboraram Marina Guimarães, e Regina Cardeal, da Agência Estado

Leia ainda:

link Repercussão: líderes latino-americanos lamentam morte

link No Brasil: Lula decreta luto oficial de três dias

Tudo o que sabemos sobre:
Nestor KirchnerArgentina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.