Departamento de Defesa dos EUA / AP
Departamento de Defesa dos EUA / AP
Imagem Helio Gurovitz
Colunista
Helio Gurovitz
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Morte de líder não representa fim do Estado Islâmico

É um erro acreditar que a eliminação de Abu Bakr al-Baghdadi, líder e autoproclamado “califa” do Estado Islâmico, representará uma perda significativa para o grupo terrorista.

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2019 | 06h00

É um erro acreditar que a eliminação de Abu Bakr al-Baghdadi, líder e autoproclamado “califa” do Estado Islâmico, representará uma perda significativa para o grupo terrorista. O Estado Islâmico tem planos para sobreviver submerso à perda de território faz pelo menos três anos, afirma o “jihadólogo” Aaron Zeilin, do Washington Institute.

De acordo com Zeilin, o Estado Islâmico tem raízes mais profundas na Síria e no Iraque do que a Al-Qaeda jamais teve no Afeganistão e no Paquistão. Quando as tropas americanas deixaram o Iraque, em 2011, ninguém imaginava que teriam de voltar menos de três anos depois para combater um movimento fanático nascido nos campos de prisioneiros.

Desta vez, a retirada americana da Síria abriu espaço para que o extremismo seja mantido e floresça em campos de refugiados, o principal deles em Al-Hawl, com 68 mil pessoas vivendo em situação precária. Desse total, Zeilin estima num estudo recém-publicado que 20 mil sejam elementos radicais do Estado Islâmico.

"É difícil prever o escopo preciso e a velocidade do ressurgimento do EI”, escreve Zeilin. No entanto, o dilema está claro: com a retirada americana e as tropas curdas preocupadas em conter o avanço da Turquia, quem se encarregará de deter os insurgentes nos campos?

Diplomacia: Movimento quer Venezuela fora de conselho da ONU

Recém-indicada para um assento no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, a Venezuela foi denunciada em relatório recente da própria ONU pela “situação alarmante dos direitos humanos” – 15.045 presos por motivos políticos, milhares de casos de tortura, 5.287 execuções extrajudiciais em 2018, 1.569 até maio de 2019, 22 deputados da Assembleia Nacional despojados da imunidade parlamentar, além de pelo menos 4 milhões de refugiados buscando abrigo em outros países. A contradição motiva uma campanha de 54 organizações contra aceitar no organismo o regime do ditador Nicolás Maduro.

Investigação: Ucraniano envolvido no impeachment salva acusado russo

Uma testemunha-chave para a investigação da interferência russa na eleição americana de 2016 escapou da Ucrânia para a Rússia graças à ajuda do ex-procurador-geral ucraniano Yuri Lutsenko, personagem central no inquérito de impeachment contra Donald Trump. Citado no relatório do procurador especial Robert Mueller como “ex-agente da inteligência russa” e indiciado por obstrução de Justiça, Konstantin Kilimnik foi o braço direito do ex-chefe da campanha de Trump, Paul Manafort, no período em que ele operou em Kiev. Em 2016, diz Mueller, foi procurado por Manafort para fazer chegar a Vladimir Putin pesquisas internas da campanha sobre os Estados do Meio-Oeste.

Tecnologia: Plataforma de games se torna reduto neonazista

A plataforma de videogames Discord se tornou o ponto de encontro preferido de neonazistas e militantes de extrema direita. Numa única tarde, a repórter April Glaser afirma ter entrado em mais de 20 comunidades de temática nazista, supremacista, racista ou antissemita. Protegidos pelo anonimato, os grupos misturam preconceito explícito e revisionismo histórico à ironia adolescente (como na imagem do My Little Pony decorada com suásticas). Com mais de 150 milhões de registrados, a vasta maioria interessados apenas em games, o Discord afirma que seus termos de uso “proíbem especificamente assédio, ameaças ou incitação à violência” e diz investigar e adotar ações imediatas contra qualquer violação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.