Morte de manifestante ensombrece cúpula do G-8

A morte a tiros de um manifestante italiano antiglobalização durante um confronto com a polícia lançou sombras, nesta sexta-feira, sobre a abertura da cúpula do Grupo dos Oito - os sete países mais industrializados e a Rússia - na cidade de Gênova, no noroeste da Itália. Cerca de 100 pessoas ficaram feridas - 2 delas em estado grave - nos violentos confrontos entre grupos que tentavam entrar na área isolada do centro velho em que se reúnem os líderes mundiais e policiais fortemente equipados para conter distúrbios. Mais de cem pessoas foram presas. Os manifestantes de grupos mais radicais pretendiam forçar a entrada na área bloqueada do centro velho de Gênova, a chamada zona vermelha, onde estão o Palácio Ducal, sede da cúpula do G-8 e a zona portuária, local em que a maioria dos líderes ficará hospedada num navio de luxo. Os incidentes deixaram em segundo plano temas como o cancelamento da dívida externa dos países mais pobres e a promessa dos sete países mais ricos de doar pouco mais de US$ 1,2 bilhão para o combate à aids e outras doenças. No fim da noite as autoridades identificaram o jovem como sendo Carlo Giuliani, de 20 anos, um romano residente em Gênova, e disseram que ele estava fichado na polícia desde 1995 por ultraje e resistência à autoridade. A morte ocorreu numa rua estreita perto da Praça Tommase, na região noroeste de Gênova, bem distante da "zona vermelha". O jovem estava com o rosto coberto com uma máscara, como a maioria das dezenas de pessoas dos grupos mais radicais que naquele momento atiravam pedras contra as forças de segurança. A polícia respondia com gás lacrimogêneo. Em fotografias difundidas pela televisão italiana nesta sexta-feira à noite o manifestante aparece lançando um extintor contra a parte traseira de um carro das forças de segurança. Em segundo plano se vê um policial com uma arma na mão. Outra foto mostra o corpo do jovem sob as rodas do veículo e, no interior, o policial com a arma na mão. Imagens posteriores da televisão mostram o jipe em outro local, e policiais tomando posição em torno do corpo, sob uma chuva de pedras dos manifestantes. "Lamento o que se passou. É o contrário dos esforços, do trabalho que o G-8 está levando adiante para combater a pobreza e as epidemias no mundo", comentou o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. O Fórum Social de Gênova, que agrupa cerca de 800 organizações antiglobalização e fez um acordo com a polícia pelo qual se comprometeu a não entrar na zona vermelha, pediu o fim imediato da cúpula e a demissão do ministro do Interior da Itália, Claudio Scajola, responsável pela segurança do G-8. O foro manteve a convocação de uma manifestação pacífica para este sábado.

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