Mauricio Centeno/AP
Mauricio Centeno/AP

Morte de miss em protesto contra governo acentua divisão na Venezuela

Com Génesis Carmona, são seis as vítimas nas manifestações que tomaram conta do país; detido desde terça-feira, líder opositor Leopoldo López divulga vídeo conclamando população a continuar mobilizada

Luiz Raatz, Enviado Especial / Caracas - O Estado de S. Paulo,

19 de fevereiro de 2014 | 23h30

CARACAS - A morte de uma jovem de 22 anos na quarta-feira, 19, uma das seis vítimas desde o início dos protestos na Venezuela, acirrou a tensão no país. Génesis Carmona, miss Turismo do Estado de Carabobo, foi atingida por um tiro na cabeça na terça-feira por um motociclista durante protestos antigoverno na cidade de Valência.

A morte da miss, assim como a prisão do líder opositor Leopoldo López, na terça-feira, motivou parte dos manifestantes a continuar nas ruas. "A miss morreu com um tiro na cabeça. Todos os mortos (antichavistas) tinham tiro na cabeça. Isso é sinal de que estamos sendo executados pelo governo", disse ao Estado o estudante de Propaganda Victor Morales, de 21 anos. Tiros de motociclistas têm se tornado comuns nos protestos na Venezuela e já mataram e feriram manifestantes antigoverno e chavistas.

Aluna de Direito da Universidade Católica Andrés Bello, Yohana de la Torre disse protestar contra a escassez de produtos básicos provocada pela grave crise cambial do país. "Não temos água nem leite e passamos horas na fila para comprar comida", afirmou.

Em Caracas, manifestantes oposicionistas e estudantes universitários se reuniram em volta do tribunal onde López deveria comparecer. Detido em uma base militar, López representa a ala radical da coalizão antichavista Mesa da Unidade Democrática (MUD). O governo o acusa de incitar os protestos e pelos homicídios ocorridos nas manifestações, entre outros crimes. Os manifestantes trocaram insultos com chavistas que também compareceram ao tribunal.

Em vídeo divulgado hoje, López, de 42 anos, aparece ao lado da mulher pedindo que os manifestantes continuem mobilizados. "Hoje, mais do que nunca, nossa causa tem de ser a saída desse governo", disse na gravação feita para ser divulgada caso ele fosse preso.

Violência. A notícia da morte de Génesis era a mais comentada nos sites de notícia venezuelanos, assim como nas redes sociais. Foi a segunda vez este ano que a violência vitimou uma miss, símbolo de orgulho nacional na Venezuela.

No dia 6 de janeiro, a atriz e ex-miss Venezuela Mónica Spear Mootz, de 29 anos, e seu ex-marido, o irlandês Thomas Berry, de 39 anos, foram mortos, baleados em assalto na cidade litorânea de Puerto Cabello. A insegurança é um dos principais motivos de insatisfação dos manifestantes, que protestam ainda contra a alta inflação, a corrupção e a escassez de produtos.

Nos últimos oito dias, os protestos que ganharam as ruas de Caracas se espalharam para várias cidades do país. Na semana passada, três pessoas foram baleadas e uma, atropelada. O ministro do Interior, Miguel Rodríguez, disse, em entrevista a uma rádio local, que haveria uma sexta vítima, um chavista que participava de uma marcha de trabalhadores no Estado de Bolívar.

O presidente, Nicolás Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez, morto há quase um ano, afirma que López e outros opositores se alinharam ao governo americano em uma tentativa de golpe contra ele. Três diplomatas dos EUA foram expulsos do país no início da semana. Na quarta-feira, o chanceler venezuelano, Elías Jaua, afirmou que a única ajuda internacional que seu país buscará, diante de um eventual golpe de Estado, será na União das Nações Sul-Americanas (Unasul). / COM EFE, AP, AFP e REUTERS

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