Morte de opositor provoca protestos e repressão cubana

A morte do preso político cubano Orlando Zapata, após mais de dois meses de greve de fome, desatou ontem uma série de protestos fora de Cuba e uma onda repressiva na ilha caribenha. A mãe da vítima, Reina Luisa Tamayo, acusou o governo de Raúl Castro de "assassinato premeditado" e pediu ao mundo que exija a libertação dos outros prisioneiros políticos. Segundo a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), depois da morte do dissidente, pelo menos 25 pessoas foram detidas na ilha, mas algumas fontes da oposição cubana falam em até 50 prisões.

AE-AP, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2010 | 08h29

Zapata morreu na terça-feira, no mesmo dia em que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou a Havana para reunir-se, no dia seguinte, com Raúl e Fidel Castro. A denúncia de Reina foi feita em uma entrevista ao blog Geração Y, de Yoani Sánchez, que ficou conhecida internacionalmente por descrever o duro cotidiano da população cubana sob o regime dos irmãos Castro. Segundo Reina, Zapata também foi torturado na prisão.

O dissidente começou a fazer greve de fome em dezembro para protestar contras as condições do sistema carcerário cubano. No domingo, 50 presos políticos pediram, em carta, que Lula intercedesse por sua libertação durante a visita a Cuba. "Acompanhei meu filho antes de morrer e o vi morto. Ele perdeu a vida em um assassinato premeditado. Foi torturado durante todo o tempo em que esteve preso, o que foi objeto de sofrimento para esta família", afirmou Reina, em uma gravação colocada no blog.

"Com minha dor profunda, peço ao mundo que exija a libertação dos demais presos, dos nossos irmãos que estão detidos injustamente, para que não volte a ocorrer o que aconteceu com o meu filhinho." De acordo com a oposição, Zapata foi o primeiro opositor a morrer nos centros de detenção da ilha em quatro décadas.

Grupos do exílio cubano em Miami convocaram uma grande manifestação para domingo para protestar contra o "assassinato" do opositor. O Departamento de Estado dos Estados Unidos lamentou o desfecho do protesto do dissidente e informou que este mês, em reunião com autoridades cubanas para discutir migração, funcionários norte-americanos haviam manifestado preocupação com o estado de saúde dele. A União Europeia (UE) pediu a Havana que mostre mais respeito pelos direitos humanos.

Já a Anistia Internacional (AI) exigiu uma investigação para definir se os maus-tratos colaboraram para a morte. Operário de 42 anos, Zapata era considerado um "prisioneiro de consciência" pela AI. Ele foi condenado a três anos de prisão em 2003 em um processo paralelo ao que levou outros 75 dissidentes (53 dos quais ainda estão detidos em Cuba) a receber penas de até 28 anos. Mas, depois, sua condenação foi ampliada para 25 anos e 6 meses.

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