Morte de Pinochet causa sensação geral de injustiça

A morte do ex-ditador Augusto Pinochet antes de seu julgamento causou uma sensação geral de injustiça em diversas organizações humanitárias.A organização Anistia Internacional indicou que a morte de Pinochet supõe uma "chamada de atenção aos governos, pois é necessário uma Justiça rápida para impedir que os culpados da violações dos direitos humanos não sejam ser processados."As vítimas da ditadura chilena e os advogados que o levaram aos tribunais com mais de 300 queixas lamentaram que o ex-ditador tenha morrido antes de ser condenado, mas não esconderam a alegria pela morte do militar. Os partidários de Pinochet consideraram sua morte uma perda irreparável para o Chile e pediram tolerância a seus detratores e um funeral com honras ao ditador. "A dor é muito grande, estamos consternados", disse o general aposentado Luis Cortés Villa, diretor da Fundação Augusto Pinochet e uma das pessoas mais próximas da família. Organismos dos direitos humanos da Argentina lamentaram que o ditador tenha morrido sem cumprir "a condenação que merecia em uma prisão comum pelo genocídio que cometeu". A secretária da Associação das Mães da Praça de Maio argentina, Beba Evel Petrini, afirmou que hoje "a morte foi a salvaguarda" de Pinochet, porque "o salvou de ter pago o horror que semeou."Gustavo Larrea, futuro ministro equatoriano do Interior, disse em nome do governo eleito de seu país que com a morte de Pinochet se põe fim a um período que "assombrou a América".O porta-voz do governo do Partido Socialista Obrero Espanhol, Diego López Garrido, considerou lamentável que Pinochet tenha morrido sem ter sido julgado, mas lembrou que foi a Espanha o país que permitiu "dar um salto de gigante" para que os autores de crimes contra a humanidade não ficassem impunes. A Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca, que lidera protestos no estado mexicano, insistiu para que os latino-americanos "seguissem lutando pelos direitos humanos e contra a repressão."Com a morte do general, "não há nada a lamentar", disse o advogado Guillermo Paysse, coordenador do Serviço Paz e Justiça no Uruguai.

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