Morte de Pinochet coincide com o dia dos direitos humanos

A morte do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, acusado entre outros crimes de genocídio, coincidiu com a celebração do Dia Internacional dos Direitos Humanos.A organização Anistia Internacional (AI) disse, em Londres, que a morte do ex-ditador Pinochet "chama a atenção" dos governos para a necessidade de uma justiça rápida para impedir que os culpados por violações de direitos humanos escapem da justiça."A morte do general Pinochet deveria chamar a atenção das autoridades do Chile e de todos os governos, recordar-lhes a importância de uma justiça rápida no que se refere a crimes de direitos humanos, algo a que o próprio Pinochet escapou", afirmou um porta-voz da AI.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em mensagem em razão do Dia Internacional dos Direitos Humanos, que este ano foi dedicada a Darfur, pediu que esta região sudanesa atue sob o princípio da "responsabilidade de proteger", e também para acabar com as prisões secretas em nome da luta antiterrorista.Annan ressaltou a necessidade de acabar com a impunidade das violações dos direitos humanos e disse que, embora tenham acontecido avanços, como os tribunais especiais da antiga Iugoslávia, Ruanda e Serra Leoa, ainda falta muito a ser feito.O secretário-geral da ONU agradeceu o trabalho realizado pelas 26 mil ONGs registradas em todo o mundo, especializadas no tráfico de seres humanos, na tortura, nos direitos infantis e na migração.O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, pediu ao governo sudanês e aos grupos rebeldes de Darfur que declarem um cessar-fogo imediato e se comprometam a buscar uma solução negociada ao conflito, que já causou a morte de mais de 400 mil pessoas.O diretor da Associação Pró Direitos Humanos (Aprodeh) do Peru, Francisco Soberón, disse que é irônico o fato de o falecimento de Pinochet coincidir com essa jornada em busca do fim das violações dos direitos humanos.Soberón pediu a seus compatriotas que pensem na impunidade como algo que não deve ser permitido, especialmente em alusão à extradição do ex-presidente peruano Alberto Fujimori (1990-2000), que é requerido pela justiça de seu país por crimes contra os direitos humanos, além de corrupção.

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