Morte de policiais em Nova York deixa prefeito sob pressão

Morte de policiais em Nova York deixa prefeito sob pressão

De Blasio foi eleito ano passado prometendo avançar com os direitos civis na cidade; polícia diz que ele tem 'sangue nas mãos'

O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2014 | 10h37


NOVA YORK - O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, enfrenta a maior crise da sua carreira política depois da morte dos policiais Rafael Ramos e Wenjian Liu no fim de semana, num ataque cuja intenção era vingar a morte de jovens negros desarmados pela polícia nos EUA.

Policiais da cidade viraram as costas para o prefeito em protesto durante uma entrevista à imprensa e o sindicato da categoria disse que De Blasio tinha sangue nas mãos depois do ataque de sábado.

Investigadores disseram que o responsável pelas mortes, Ismaaiyl Brinsley, homem negro de 28 anos, tem uma longa ficha policial, talvez tenha tido problemas mentais no passado e alertou sobre as suas intenções nas redes sociais.

As mensagens que ele postou no Instagram indicam que ele foi motivado pelas mortes do Michael Brown, de 18 anos, e Eric Garner, em ações policiais.

De Blasio foi eleito no ano passado prometendo avançar com os direitos civis depois de duas décadas de policiamento duro terem ajudado Nova York a superar a reputação por crimes violentos. Ele tem mostrado apoio aos manifestantes que tomaram as ruas da cidade depois que um júri popular decidiu, no início do mês, não indiciar o policial que matou Garner com um golpe ilegal em julho.

A posição do prefeito tem levado a relações tensas com o maior sindicato policial da cidade. Críticos na polícia consideram que De Blasio não tem demonstrado apoio suficiente à corporação em tempos de revolta pública.

"Prefeitos tendem a não se sair muito bem quando o departamento de polícia e os seus homens não estão contentes”, disse o estrategista político de Nova York Hank Sheinkopf, que tinha entre os seus clientes Michael Bloomberg, antecessor do atual prefeito.

As mortes de Garner, em Nova York, e Brown, em Ferguson, no Missouri, têm gerado protestos violentos no país. Outro júri popular decidiu também não acusar formalmente o policial envolvido na morte de Brown. Os casos provocaram um debate público sobre raça e policiamento, que tem envolvido inclusive o presidente Barack Obama e o seu secretário de Justiça, Eric Holder.

Manifestações. Líderes de protestos recentes contra a polícia, entre eles o reverendo Al Sharpton, veterano ativista por direitos civis de Nova York, condenaram o assassinato dos policiais.

Cerca de cem manifestantes, parte de um grupo que recentemente se encontrou com o prefeito para pedir reformas na polícia, fizeram um ato no domingo à noite no Harlem. Em contraste com os tradicionais barulhentos protestos contra a polícia, eles caminharam em silêncio com velas. Uma vigília pelos policiais também ocorreu no Brooklyn, perto de onde ocorreu o ataque.

Obama falou com o comissário de polícia de Nova York, William Bratton, no domingo, para expressar condolências.

O cardeal de Nova York, Timothy Dolan, alertou sobre as tensões durante uma missa no domingo, a qual estiveram presentes Bratton e o prefeito. "Nos preocupamos com uma cidade tentada pela tensão e a divisão”, disse Dolan.

Os planos para os funerais de Ramos e Liu, os primeiros policiais a morrerem em serviço e a tiros na cidade desde 2001, ainda não foram anunciados. As cerimônias podem chamar ainda mais a atenção para as divisões entre a polícia e o prefeito.

Brinsley se aproximou da viatura policial em que estavam Ramos e Liu, no Brooklyn, abordou os dois pela janela do passageiro e começou a atirar. Em seguida, o homem saiu correndo e foi perseguido por outros policiais até uma estação de metrô, onde se matou. /REUTERS

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