Marcos Brindicci / Reuters
Marcos Brindicci / Reuters

Morte de promotor foi uma tentativa de golpe de Estado, diz governista argentino

Subsecretário de Relações com a Sociedade Civil afirmou que caso é usado para derrubar a presidente Cristina Kirchner 

O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 12h26

BUENOS AIRES - A morte do promotor argentino que acusou a presidente Cristina Kirchner de encobrir a participação de iranianos no atentado contra a Amia em 1994 foi uma tentativa de golpe de Estado, disse na segunda-feira 9 o subsecretário de Relações com a Sociedade Civil do governo da Argentina.

O promotor Alberto Nisman foi encotnrado morto no dia 18 de janeiro em seu apartamento em Buenos Aires com um tiro na cabeça e uma arma ao lado, dias após ter denunciado um suposto complô para encobrir os autores do ataque antissemita investigado por ele há uma década.

"Estamos diante de uma tentativa de golpe de Estado, que procura derrubar a presidente e acabar com esse projeto político que governa desde 2003, para impor a restauração conservadora-neoliberal que governou durante décadas para seu próprio proveito", disse o subsecretário Gustavo López, em comunicado.


O subsecretário não apontou claramente quem considera ser responsável pela morte de Nisman, mas relacionou o caso aos "grandes interesses econômicos". Ainda não se sabe se o promotor cometeu suicídio ou foi assassinado.

A morte de Nisman prejudicou a imagem de Cristina, complicando as opções do governo para as eleições presidenciais de outubro. A presidente não poderá concorrer porque já exerceu dois mandatos consecutivos, mas especialistas dizem que o caso vai atingir negativamente o candidato que for escolhido pelo atual governo.

O governo afirma que o promotor recebeu informação falsa de ex-agentes de inteligência para elaborar sua denúncia, que, além de Cristina, inclui também o chanceler argentino, Héctor Timerman, e um parlamentar.

Quatro dias antes de morrer, Nisman havia denunciado um plano governamental para encobrir iranianos acusados de terem organizado um atentado contra a organização judaica em Buenos Aires, que deixou 85 mortos. /REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.