Morte de suspeito fecha investigação sobre antraz nos EUA

O cientista militar Bruce Ivins foio único responsável pelos ataques com antraz que mataram cincopessoas em 2001 nos EUA, e por isso sua morte encerrará oprocesso, disse na quarta-feira o procurador federal JeffreyTaylor. "Estamos confiantes de que o dr. Ivins foi a única pessoaresponsável por esses ataques. Estamos começando o processo deconcluir esta investigação. Assim que este processo estivercompleto, vamos encerrar formalmente o caso", disse Taylor ementrevista coletiva. Ivins se matou antes de ser acusado. Além de causar cinco mortes, as cartas com a bactériaantraz contaminaram outras 17 pessoas que afinal serecuperaram. Os ataques afetaram seriamente o serviço postaldos EUA e causaram medo na população, pouco tempo depois dosatentados de 11 de setembro de 2001. Nos argumentos da acusação contra Ivins, divulgados naquarta-feira, consta que, pouco antes de enviar as cartas, Ivinmandou por email um alerta de que "terroristas de (Osama) binLaden" iriam incluir ataques com antraz e gás sarin. Olinguajar era semelhante ao das cartas. Em mais de cem páginas de documentos, a promotoria tentavaprovar que Ivins tinha um grande frasco de esporos altamentepurificados de antraz, idênticos aos usados nas cartas. Ali aparece um homem paranóico, sob pressão por causa de umproblemático projeto de vacina contra o antraz, com múltiplasligações substanciais com os destinatários das cartas -- e alémde tudo dono de um exemplar do livro "A Peste", de AlbertCamus. No email recolhido na investigação, Ivins declarava que osterroristas "acabam de decretar a morte de todos os judeus etodos os americanos." "Temos este antraz... Morte à América... Morte a Israel",concluía o texto, todo letras maiúsculas. Os investigadores disseram que Ivins não apresentou umaexplicação convincente para os longos serões no laboratório naépoca das cartas com antraz, quando teria confessado a umcolega que tinha idéias paranóicas. Ele também teria tentadoenganar o FBI apresentando amostras falsas. O cientista, morto aos 62 anos, era microbiologista nolaboratório do Exército para pesquisas em biodefesa, no quartelFort Detrick, Maryland. Seu advogado, Paul Kemp, disse que ele provaria suainocência no julgamento.

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