'Morte do líder não transforma a política local'

Hermann Buhr Giliomee, professor da Universidade de Stellenbosch, é um dos mais influentes intelectuais da comunidade africâner na África do Sul. Africâneres são os brancos de origem holandesa, em geral, mas também francesa, alemã e escandinava, que nasceram no continente africano - e, ao longo do século 20, foram protagonistas da política de segregação racial. Para Giliomee, um africâner moderado, que defende a preservação cultural, mas com integração à sociedade multirracial, a morte do líder negro Nelson Mandela não muda muito o futuro político do país.

Entrevista com

QUNU / ÁFRICA DO SUL, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2013 | 02h04

O que a morte de Nelson Mandela muda no que diz respeito ao futuro político da África do Sul?

Não muda muita coisa. Ele já havia praticamente deixado a política nos anos 90, logo após o fim de sua presidência. Sua maior contribuição foi forçar a reconciliação. Desde seu governo, a África do Sul também alcançou mais estabilidade e desenvolvimento econômico ao adotar o livre mercado, tornando-se mais atraente aos investidores externos. É um legado importante.

O senhor não mencionou o fim do apartheid e a conquista da democracia multirracial como um legado de Mandela. Por quê? Basicamente porque Mandela foi uma das pessoas que teve a oportunidade e a habilidade de negociar uma Constituição democrática, que continua valendo. Foi um arsenal jurídico importante, embora o CNA (Congresso Nacional Africano, partido de Mandela e do atual presidente, Jacob Zuma) esteja se afastado cada vez mais da carta magna.

A sua análise sobre a África do Sul pós-Mandela não parece otimista. Por quê?

Não é isso. Esse afastamento da constituição por parte do CNA tem mais relação com a posição do atual presidente, que não é um grande líder e está só tentando proteger sua própria posição política. / A.N.

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