Morte enfraquece o grupo, mas dificulta uma solução política

Análise: Talita Eredia

O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h01

A morte de Alfonso Cano é a maior baixa das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 47 anos de história do grupo, mas o sumiço do líder supremo não acabará com as atividades da guerrilha colombiana. Mais provável é que a queda de Cano, o último dirigente da "velha guarda" das Farc, acelere a descentralização da organização.

Cano é o primeiro líder da guerrilha morto por militares - o fundador do grupo, Manuel Marulanda, morreu de causas naturais em 2008, e sua morte foi cuidadosamente anunciada meses depois.

O assassinato de Cano certamente será retaliado. A guerrilha já havia aumentado desde janeiro o seu efetivo e o número de ataques contra militares - foram mais de 1.700 este ano. Crescem os temores sobre os 22 reféns que permanecem na selva e teme-se uma nova onda de sequestros.

Para Carlos Medina, especialista em conflito armado da Universidade Nacional da Colômbia, o esgotamento da guerrilha é evidente depois das operações que as Forças Armadas vêm realizando há dois anos. Entretanto, a morte de Cano representa um grande problema para a solução política do conflito armado colombiano.

"As Farc buscam um cenário para a negociação política em que o seu projeto revolucionário defendido por quase 50 anos não seja derrotado. Cano vinha fazendo manifestações claras da necessidade de se avançar na solução política pela via negociada. O clima de triunfo sobre as Farc não pode impedir as negociações. Precisamos torcer para que o próximo líder da guerrilha mantenha a percepção de Cano e difunda, dentro da organização, a importância da solução política para o conflito armado", afirma Medina.

Entre os favoritos para liderar o secretariado, estão Luciano Marín Arango, conhecido como Iván Márquez, Timoleón Jiménez, o Timochenko, e Milton de Jesús Toncel, o Joaquín Gómez. Todos têm formação acadêmica e são respeitados na organização. Analistas acreditam que a escolha mais provável seja Iván Márquez, mais próximo de Cano. Timochenko é um dos membros mais antigos da guerrilha, e Joaquín Gómez vem de uma ala mais dura das Farc.

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