Morte na Rússia desperta confrontos de teor nacionalista

A morte a facadas de um homem de etnia russa despertou uma onda de violência em Moscou contra pessoas do Cáucaso no domingo. Manifestantes invadiram um centro comercial e destruíram um armazém de vegetais no final de semana, resultando na prisão de centenas de pessoas.

AE, Agência Estado

14 de outubro de 2013 | 08h14

Acredita-se que um homem foi morto por um nativo do norte do Cáucaso, uma região no sul da Rússia onde há predominância de muçulmanos. Os nativos do Cáucaso trabalham em centros comerciais e em muitos mercados de vegetais ao redor da capital russa.

O Comitê Investigativo, a principal agência de investigação da Rússia, disse em um comunicado que o homem de 25 anos foi morto em uma briga que envolveu sua namorada enquanto o casal voltava para casa na quinta-feira. Os investigadores questionaram testemunhas, segundo o comunicado.

A polícia divulgou uma fotografia do suspeito tirada por uma câmera de segurança, mas ele não foi identificado.

Imagens transmitidas ao vivo na televisão Dozhd mostraram o tumulto em Biryulyovo, um bairro da classe trabalhadora no extremo sul de Moscou. Centenas de russos étnicos participavam nos protestos e alguns deles gritavam palavras de ordem nacionalistas.

O departamento de polícia da cidade convocou forças adicionais para tentar conter a onda de violência.

A polícia intensificou as patrulhas em toda a cidade e agiu para fechar a praça em frente ao Kremlin com o objetivo de evitar um protesto semelhante ao de 2010, quando milhares de nacionalistas e torcedores de futebol protestaram contra a morte de um russo durante uma briga com nativos do norte do Cáucaso.

A polícia deteve várias pessoas depois que os manifestantes quebraram janelas no centro comercial. Outras pessoas, em seguida, atiraram garrafas e lixo contra os oficiais para exigir a libertação dos detidos, segundo a agência de notícias Interfax.

Centenas de pessoas partiram do local e se direcionaram para o armazém de vegetais, marchando pelas ruas. O chefe da polícia de Moscou, Anatoly Yakunin, disse durante uma entrevista na televisão que os manifestantes também viraram carros no protesto.

A polícia bloqueou o caminho da marcha, mas dezenas de pessoas ainda conseguiram entrar no armazém. Os manifestantes se reuniram novamente do lado de fora do centro comercial e entraram em confronto com a polícia.

Na segunda-feira, a polícia prendeu mais de 1.200 pessoas, em uma "ofensiva preventiva". A operação foi feita no armazém de vegetais onde os manifestantes acreditavam que o assassino trabalhava, segundo agências de notícias russas. Fonte: Associated Press.

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