Mortes causadas por bombardeios de Israel contra Gaza passam de cem

Nova onda de tensão. Até ontem, mais de 600 foguetes tinham sido lançados do território palestino contra alvos israelenses;cerca de 500 árabes ficaram feridos desde o início da ofensiva; OMS denuncia falta de remédios e insumos para atender as vítimas

O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2014 | 02h00

JERUSALÉM - O número de mortos pela ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza passou de cem ontem, quarto dia da operação israelense que tem como justificativa impedir o lançamento de foguetes contra o território israelense. O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, por sua vez, afirmou que "nenhuma pressão internacional" impedirá as forças israelenses de "atacar os terroristas" do Hamas, grupo que governa Gaza.

Em uma entrevista coletiva no Ministério da Defesa, em Tel-Aviv, Netanyahu afastou a possibilidade de negociar um cessar-fogo, dando sinais de que o fim da operação israelense contra o território palestino não está próximo. "Vai acabar quando nossos objetivos se concretizarem. E o nosso objetivo prioritário é restabelecer a paz e a calma", declarou.

Israel afirmou que os bombardeios de ontem foram uma resposta aos lançamentos de foguetes que têm sido feitos de Gaza. A escalada de violência começou há um mês, quando três jovens israelenses desapareceram na Cisjordânia, nas proximidades da cidade palestina de Hebron. O jovens judeus foram encontrados mortos a tiros, no dia 30, e horas depois do sepultamento um adolescente palestino foi sequestrado e morto em Jerusalém, em uma aparente retaliação.

De acordo com o Ministério de Saúde palestino em Gaza, pelo menos 106 palestinos foram mortos desde segunda-feira, quando Israel deflagrou a operação Limite Protetor - 21 mortes ocorreram ontem. Segundo a ONU, ao menos 58 civis tinham morrido em Gaza até a tarde da quinta-feira - entre eles, 21 crianças e 11 mulheres.

Os palestinos de Gaza lançaram mais de 600 foguetes contra Israel nos últimos dias. Ontem, um dos projéteis atingiu um posto de combustíveis no sul de Israel - e o incêndio causado pelo ataque feriu gravemente um homem. Segundo o Exército israelense, o estado de saúde de um soldado atingido por estilhaços de um foguete palestino agravou-se. Mas nenhuma morte ocorreu do lado israelense, em grande medida porque o sistema de defesa Domo de Ferro interceptou 121 foguetes lançados pelos palestinos.

Cerca de 500 palestinos ficaram feridos. "A recente escalada de violência na Faixa de Gaza levanta preocupações sobre a capacidade do governo e do Ministério da Saúde do território palestino de lidar com a responsabilidade de atender emergências médicas (...), em razão do alto nível de escassez de remédios, insumos médicos e combustível para os geradores dos hospitais", disse a Organização Mundial da Saúde.

Reação internacional. Milhares de manifestantes pró-palestinos protestaram ontem diante da Embaixada de Israel em Londres. Em Paris, cerca de cem partidários da causa palestina fizeram uma manifestação diante da chancelaria. O governo de Cuba pediu à comunidade internacional que exija de Israel o fim da "nova escalada de violência", condenando "energicamente" os ataques a Gaza. A Câmara dos Deputados dos EUA apoiou resolução que expressa apoio americano ao direito de autodefesa de Israel. / AP, AFP e NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.