Eduardo Munoz/Reuters
Eduardo Munoz/Reuters

Mortes diárias por covid-19 nos EUA podem chegar a 3 mil, diz estudo

Relaxamento precoce de restrições aumentaria em até 8 vezes infecções; Casa Branca reduz importância de análise

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 18h55

WASHINGTON - Um documento interno do Centro de Controle de Doenças (CDC) nos Estados Unidos feito vazar à imprensa revela previsões de uma piora acentuada na crise provocada pelo novo coronavírus no país.

Segundo reportagens divulgadas na segunda-feira pelos jornais The New York Times e Washington Post, o número de infecções diárias nos EUA pode aumentar em até oito vezes, chegando a 200 mil até o início de junho, em contraste com a média de 25 mil novos casos registrados diariamente no país. Os EUA registraram nesta terça-feira, 5, mais de 70 mil mortos pelo coronavírus e mais de 1,2 milhão de casos.

De acordo com o documento do departamento do governo, a contagem diária de mortos no país pode aumentar significativamente e chegar a 3 mil até o fim de maio. Segundo estimativas, a média diária dos óbitos é atualmente de cerca de 2 mil nos EUA, que já é o país mais atingido pela pandemia de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. As projeções têm como base dados compilados pela Agência Federal de Gerenciamento de Emergências.

O Washington Post citou um professor de epidemiologia da Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, segundo o qual o documento vazado à imprensa tem como base dados de uma ampla variedade de possibilidades e de modelos que foram apresentados ao CDC como um trabalho ainda em andamento.

A Casa Branca minimizou o vazamento dos dados, afirmando se tratar de um documento interno que não havia sido coordenado com outras autoridades e ainda não tinha sido submetido à equipe do presidente Donald Trump.

No domingo, o presidente admitiu que o número de vítimas da doença no país pode vir a passar de 100 mil. Inicialmente, ele havia previsto em torno de 60 mil a 70 mil mortes.

Segundo as reportagens do New York Times e do Washington Post, os cálculos do CDC se baseiam no fato de que alguns Estados e distritos não tomaram medidas enérgicas para conter a disseminação da covid-19 ou relaxaram precocemente as medidas de prevenção. Nos EUA, a responsabilidade pelas medidas de combate à doença estão, em grande parte, sob responsabilidade dos governos estaduais e das autoridades locais.

O próprio Trump vem pressionando pelo retorno à normalidade e pela reabertura da economia dos EUA, de olho nas eleições presidenciais em novembro.

Paralelamente aos dados do CDC, outro modelo estatístico mencionado como referência pela Casa Branca fez uma revisão de suas estimativas, afirmando que o número de óbitos pode dobrar nos EUA nos próximos meses, um prognóstico bem mais sombrio do que o quem vem sendo apontado pela equipe de Trump designada para lidar com a crise.

O Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde (IHME) da Universidade de Washington estima que 135 mil americanos devem perder suas vidas até o início de agosto em razão do relaxamento das medidas de prevenção e do aumento da movimentação de pessoas em 31 Estados até o dia 11 de maio. O modelo do instituto, utilizado pelo governo, associa o aumento das mortes ao maior contato entre as pessoas, o que possibilitaria a transmissão do novo coronavírus.

Primeiro Estado americano a decretar o confinamento, a Califórnia começará a suspender algumas restrições durante a semana, anunciou hoje o governador Gavin Newsom. “Milhões de californianos respeitaram as regras do confinamento e, graças a eles, estamos preparados para começar a próxima etapa”, declarou o governador democrata. / NYT e W.Post 

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