Mortes em ataque contra ex-premiê paquistanesa chegam a 133

Benazir Bhutto afirma que não se intimidará com as ameaças dos grupos extremistas islâmicos

Agências internacionais,

19 de outubro de 2007 | 05h02

Um aparente atentado suicida ao comboio da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto matou pelo menos 133 pessoas na quinta-feira, 18. Ela participava de uma carreata pelas ruas de Karachi para comemorar sua volta ao país após oito anos de auto-exílio. A ex-premiê saiu ilesa do incidente, um dos piores na história do Paquistão.  Veja TambémPartido de Bhutto declara três dias de luto por atentadoAustrália vê Al-Qaeda por trás de atentado no PaquistãoPara EUA, atentado contra Bhutto pretende 'fomentar medo'Saiba quem é a ex-premiê Benazir BhuttoApós exílio, ex-premiê chega ao Paquistão Em Karachi, Bhutto declarou por telefone ao canal de televisão ARY que não se deixaria "intimidar" pelas ameaças dos extremistas islâmicos que "estão tentando se apoderar" do Paquistão. Segundo a agência de notícias EFE, o canal Geo TV informa que o número de feridos chega a 550. As autoridades paquistanesas declararam o alerta na cidade. A agência Reuters diz que o secretário do Ministério do Interior Syed Kamal Shah confirmou as 133 mortes e disse que são 290 feridos. "As investigações iniciais sugerem um atentado suicida", disse Shah. De acordo com testemunhas, o incidente começou com um pequeno estrondo, seguido de uma forte explosão a poucos metros do veículo blindado que transportava Bhutto do aeroporto de Karachi a uma manifestação de boas vindas. A bomba estilhaçou os vidros do caminhão em que estava a ex-premiê e destruiu duas caminhonetes de escolta das forças de segurança.  O fotógrafo da Reuters Athar Hussain está entre os feridos no atentado. Ele descreveu a primeira explosão como uma "bola de fogo" que se consumiu rapidamente no ar. Hussain conta que após o primeiro ataque, ele e outros fotógrafos se dirigiram em direção ao caminhão em que Bhutto estava. Foi quando "houve uma outra explosão, dessa vez bem mais forte. Aí eu tive certeza de que era um ataque a bomba", disse o fotógrafo. Bhutto não se feriu e foi levada para sua casa em Karachi, disse o chefe da polícia de Karachi, Azhar Farooqi. Segundo ele, a ex-premiê foi retirada do local com segurança. "Ela foi levada para a Casa Bilawal", disse Farooqi, referindo-se à residência oficial de Bhutto em Karachi. Ainda de acordo com o policial, o alvo do ataque era o caminhão que transportava Bhutto. Autoria do atentado Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque. Alguns militantes responsabilizam a Al-Qaeda, que estaria irritada com o apoio de Bhutto à "guerra ao terror" dos Estados Unidos. A organização já havia ameaçado assassiná-la caso retornasse ao país. Segundo uma autoridade local, relatórios de inteligência indicavam que ao menos três grupos ligados à Al-Qaeda e ao Taleban planejavam realizar ataques suicidas contra a ex-premiê.  "Ela tem um acordo com os EUA. Nós atacaremos Benazir Bhutto assim como fizemos com o general Pervez Musharraf", disse à Reuters Haji Omar, um comandante do Taleban na província paquistanesa do Waziristão. Antes de embarcar para o Paquistão, a própria Bhutto parecia esperar algum tipo de atentado contra sua vida. "Eles podem tentar me assassinar. Eu preparei meus familiares e entes queridos para qualquer possibilidade", disse ela em entrevista a um jornal árabe.  Logo após chegar em Karachi, a ex-premiê embarcou em um caminhão desenvolvido para suportar um eventual atentado.  Durante a passeata, ela ficou no topo do caminhão e ignorou os conselhos policiais para se manter atrás do vidro à prova de balas do veículo. Agora as autoridades elaboram um novo plano de segurança para Bhutto, disse o porta-voz do Ministério do Interior, Javed Iqbal Cheema. As autoridades paquistanesas tinham postado em Karachi 20 mil agentes para garantir a segurança de Bhutto.  Retorno Oito anos após exilar-se, Bhutto foi recebida nesta quinta-feira por cerca de 150 mil simpatizantes do seu Partido Popular do Paquistão (PPP). Cerca de 20 mil policiais e paramilitares foram destacados para escoltá-la. A ex-premiê voltou ao país para liderar o PPP nas eleições nacionais, previstas para janeiro. Caso seu partido consiga a maioria no Parlamento, ela deve contar com o apoio de simpatizantes do presidente Pervez Musharraf para eleger-se primeira-ministra.  A ex-premiê volta ao Paquistão após supostamente firmar um acordo com Musharraf, que retirou acusações de corrupção contra ela e prometeu deixar a chefia do Exército em novembro em troca do apoio do PPP, que ajudou reelegê-lo nas eleições presidências do início de outubro. Bhutto caiu em lágrimas ao descer do avião em Karachi. Perguntada sobre qual era a sensação de retornar ao país, a ex-premiê, vestida com um véu branco e com um rosário muçulmano na mão direita, disse apenas sentir-se "bem, muito bem". Condenações Os presidentes Musharraf, Nicolas Sarkozy, da França, e a Casa Branca foram unânimes em condenar o atentado como uma tentativa de impedir a continuidade do processo democrático no país. Já o marido de Bhutto, falando de Dubai, colocou a culpa no governo paquistanês: "Isso é o trabalho das agências de inteligência." Há anos Bhutto promete retornar ao Paquistão para encerrar a ditadura militar imposta pelo presidente Musharraf. O chefe do Exército tomou o poder em um golpe em 1999.  Agora, após o acordo firmado há algumas semanas, especula-se que os dois líderes pró-Ocidente irão compartilhar o poder depois de eleições.

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