REUTERS/Stringer
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Mortes no Sudão aumentam para 101 com descoberta de 40 corpos no Rio Nilo

Comitê de Médicos ligado a oposição acusa milícia pró-governo de prosseguir com perseguição a civis em meio a protestos contra Junta Militar

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2019 | 16h16

CARTUM - O Comitê Central de Médicos do Sudão aumentou para 101 o número de mortes após a repressão violenta contra manifestantes contrários a militares que governam o país desde a última segunda-feira, 3. O balanço foi atualizado após relatos de que a milícia Yanyauid, leal ao governo, teria retirado 40 corpos de opositores do Rio Nilo e os levado para um lugar desconhecido.

De acordo com o comitê, milícias ligadas ao conselho transitório continuam a matar e aterrorizar civis em todo o país. A união médica havia informado anteriormente que eles tinham matado 61 pessoas e que outras 326 foram hospitalizadas desde a dissolução de um acampamento de oposicionistas.

O comitê, no entanto, alerta que o número de mortes pode ser maior por conta das restrições violentas de governistas.  Os militares assumiram o controle do Sudão após a deposição e prisão do ditador Omar Bashir, em abril. À frente do país por quase 30 anos, ele caiu em meio à pressão de um movimento popular desencadeado em dezembro após o governo triplicar o preço do pão.

O acampamento, instalado em frente à sede das Forças Armadas do Sudão,  foi completamente destruído pelos militares, segundo os manifestantes. O acesso à internet e a transmissão via rádio em todo o país foram interrompidos pelos militares.

EUA classifica como abominável a repressão

O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, declarou que a operação da última segunda foi "abominável" e exigiu que o conselho militar facilitasse avança para um governo liderado por civis. O principal organizador do protesto, a Associação de Profissionais do Sudão, convocou uma comissão internacional para investigar as mortes que classificou como um massacre.

Desde segunda, várias companhias aéreas cancelaram voos para Cartum, incluindo a Gulf Air do Bahrein, a FlyDubai e a EgyptAir. / REUTERS e AFP

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