Stephanie Keith/Getty Images/AFP
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Mortes nos EUA por coronavírus superam 10 mil

Número coloca os Estados Unidos como o terceiro país mais afetado pela pandemia após Itália e Espanha; Estado de Nova York dobra multa para quem descumprir quarentena

Beatriz Bulla / Correspondente, Washington, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 14h51
Atualizado 06 de abril de 2020 | 18h57

WASHINGTON - Os Estados Unidos chegaram à marca de 10 mil mortes pelo coronavírus nesta segunda-feira, 6, o terceiro país com mais casos fatais registrados desde o início da pandemia. O país tem até o momento 347 mil infectados pelo coronavírus e 10.335 mortes, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins.

Itália e Espanha, com 15 mil e 13 mil mortes respectivamente, entraram nos últimos dias em uma curva de desaceleração das infecções. Já os EUA vivem a semana mais crítica desde o primeiro caso registrado no país em janeiro. 

Pesquisadores projetam que 3.130 mil mortes sejam registradas nos EUA em 24 horas no dia 16 de abril, previsto como o pico do problema no país. Os dados, compilados pela Universidade de Washington em um modelo estatístico que tem fundamentado as diretrizes da Casa Branca, consideram que os americanos vão seguir todas as políticas de isolamento estabelecidas até agora. O governo do presidente Donald Trump estima que ao menos 100 mil americanos podem morrer em razão do coronavírus.

Um levantamento divulgado nesta segunda-feira e feito pelo próprio governo americano indica que hospitais não tem testes e nem equipamentos de proteção suficientes para a equipe médica atender os infectados pela covid-19.

Nova York é o Estado com maior número de casos e mortes pelo coronavírus, seguido em ordem crescente por New Jersey, Michigan, Califórnia e Luisiana. Nesta manhã, o governador do Estado, Andrew Cuomo, disse que o número de internações e de admissões na UTI diminuiu, o que pode indicar um "possível achatamento" da curva. Ele anunciou a extensão das medidas de confinamento até 29 de abril. 

Cuomo se queixou do fato de muitos terem saído às ruas no fim de semana e dobrou o valor da multa para quem descumprir as regras estaduais de isolamento. Quem infringir as diretrizes do Estado será multado em US$ 1.000 - cerca de R$ 5,2 mil. O pico do problema em Nova York é previsto para acontecer na quinta-feira, dia 9, quando a estimativa é de que 878 pessoas morram em um único dia em decorrência da covid-19.  

"Temos de continuar o distanciamento social. Escolas e serviços não essenciais continuarão fechados até 29 de abril. Eu não vou escolher entre saúde pública e atividade econômica. A saúde pública ainda demanda que continuemos parados", disse Cuomo nesta manhã. 

Cuomo pedirá à Casa Branca para que o navio-hospital das Forças Armadas enviado ao Estado para expandir a capacidade hospitalar local mude de função. O governador quer que o navio seja usado para tratar pacientes infectados pelo coronavírus. Até agora, o USNS Comfort, com 750 leitos, ficava destinado a atender os casos urgentes que não fossem relacionados ao vírus.

Protocolos militares e entraves burocráticos, no entanto, impediram o navio de receber muitos pacientes e a embarcação tem ficado praticamente vazia. "Não precisamos do Comfort para casos não relacionados à covid. Precisamos dele para casos de covi-19", disse o governador.

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