Cesar Von Bancels/AFP
Cesar Von Bancels/AFP

Mortes por covid na AL podem quadruplicar até outubro; EUA temem 100 mil casos diários

Segundo OMS, sem medidas de proteção, países da região poderão chegar a ter 438 mil mortos; nos EUA, Anthony Fauci alerta que o número de casos diários no país pode aumentar duas vezes e meia em pouco tempo

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2020 | 18h13
Atualizado 01 de julho de 2020 | 10h02

BRASÍLIA/CIDADE DO MÉXICO - O número de mortes em decorrência da covid-19 na América Latina pode chegar a 438 mil até outubro se as medidas preventivas não forem cumpridas pelos países da região, alertou a diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, Carissa Etienne, nesta terça-feira, 30.

No momento, as mortes pela doença respiratória provocada pelo novo coronavírus na região estão em 113.844, ou quase um quinto do número global de mortos, de acordo com um mapeamento da agência Reuters.

As Américas são o epicentro mundial da pandemia de coronavírus atualmente, e a cifra da região como um todo, incluindo os EUA, pode quase triplicar e atingir 637 mil até o dia 1º de outubro, disse a autoridade da OMS, embora tenha ponderado que projeções de modelos matemáticos não devam ser entendidas literalmente, mas somente como diretrizes de planejamento.

Conforme as condições atuais, acredita-se que a pandemia atingirá um pico no Chile e na Colômbia em meados de julho, mas na Argentina, Brasil, Bolívia e Peru só em agosto, e a Costa Rica só achatará sua curva de infecções em outubro, disse.

Países, Estados e cidades que relaxam restrições cedo demais podem ser inundados por casos novos da covid-19, disseram Etienne e outros diretores do braço regional da OMS, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em uma entrevista coletiva virtual, de Washington.

“A complacência é nossa inimiga na luta contra a covid-19”, disse ela, acrescentando: “A batalha é dura, mas está longe de estar perdida”.

O Brasil é o segundo país do mundo com maior número de casos e de mortes pelo novo coronavírus, só ficando atrás dos Estados Unidos, e diretores da OMS disseram que pediram diversas vezes que o país aumente os exames e transmita uma mensagem coerente à população.

Por mais de uma vez o presidente Jair Bolsonaro minimizou a pandemia, classificando a covid-19 de uma “gripezinha” e desdenhando do número de mortos pela doença no país. Ele também entrou em contradição com governadores que adotaram medidas de distanciamento social, como o fechamento do comércio, e acusou chefes de Executivos estaduais de exterminarem empregos.

EUA podem chegar a 100 mil casos diários

Nos EUA, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, lançou um alerta nesta terça-feira de que o número de casos diários de infecção pelo novo coronavírus no país pode aumentar duas vezes e meia em pouco tempo.

"Agora, estamos tendo uns 40 mil casos por dia. Não me preocuparia se subirmos para 100 mil, se isso não mudar. Estou muito preocupado", disse um dos líderes do grupo de trabalho de combate à pandemia montado pela Casa Branca.

Nos EUA, de acordo com os números mais recentes coletados pela Universidade Johns Hopkins, houve 2,6 milhões de casos desde o início a pandemia, e 126,3 mil pessoas morreram.

Os casos de coronavírus mais que dobraram em junho em pelo menos dez Estados do país, incluindo Flórida e Texas, mostrou uma análise da agência Reuters divulgada hoje.

O Arizona registrou o maior salto nos casos no mês, com uma disparada de 294%, seguido por Carolina do Sul e Arkansas. Os casos também mais que dobraram no Alabama, Nevada, Carolina do Norte, Oklahoma e Utah.

Nacionalmente, os casos nos EUA aumentaram pelo menos 43% e as mortes, 20%, segundo o levantamento. 

Na semana passada, 21 Estados dos EUA relataram aumento no índices de pessoas com teste positivo para o vírus acima do patamar de 5% que a OMS sinalizou como preocupante. O Arizona teve a taxa mais alta do país, com 24%./ REUTERS e EFE 

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