Mortes por furacão Félix chegam a 98

Corpos de 25 indígenas são retirados das águas do Caribe, perto da fronteira entre Nicarágua e Honduras

Ap e Reuters, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2007 | 00h00

O número de mortos pelo furacão Félix na Nicarágua e Honduras chegou ontem a 98, depois que as equipes de resgate encontraram corpos de 25 indígenas miskitos boiando nas águas do Caribe, informou um porta-voz do Comitê Regional de Emergência na cidade nicaragüense de Puerto Cabezas, Abelino Cox.De acordo com autoridades hondurenhas, os 25 indígenas mortos faziam parte de um grupo de 109 miskitos que partiu da Nicarágua em três pequenas embarcações para buscar água e comida em Honduras, depois que o furacão destruiu suas casas numa comunidade próxima à cidade de Puerto Cabezas. Ontem à noite, 32 ainda estavam desaparecidos e 52 tinham sobrevivido. Após o resgate, eles foram levados para hospitais da região.Equipes de buscas da Nicarágua também tinham encontrado os corpos de nove pescadores boiando próximo à costa do país.O Félix atingiu o nordeste da Nicarágua na terça-feira, com ventos de mais de 260 quilômetros por hora e categoria 5 - a máxima na escala Saffir-Simpson. Ele foi o segundo furacão a chegar ao continente com a força máxima, um fato inédito desde que essas tormentas começaram a ser registradas, no final da década de 20. Pouco depois de cruzar a fronteira de Honduras com a Guatemala, o Félix perdeu força rapidamente e transformou-se em tempestade tropical. Ainda assim, deixou 5 mil casas debaixo d?água em território guatemalteco e cerca de 25 mil desabrigados.As autoridades nicaragüenses pediram ontem ajuda internacional para oferecer apoio às 50 mil pessoas que deixaram suas casas por causa da destruição provocada pelos ventos e chuvas. "A necessidade mais urgente é de água potável", disse o nicaragüense Edgar Orozco, diretor de operações do Sistema Nacional de Prevenção e Mitigação de Desastres. Pelos seus cálculos, serão necessários pelo menos US$ 30 milhões para começar a reconstrução da Região Autônoma do Atlântico Norte, a mais afetada pelo Félix e uma das mais pobres da Nicarágua. No final da tarde de ontem, dezenas de pessoas ainda estavam desaparecidas. De acordo com o coronel Ramón Arnesto Soza, chefe do Departamento de Defesa Civil de Puerto Cabezas - que teve 90% de sua infra-estrutura destruída pela tormenta - , a cifra de mortos e desaparecidos poderia aumentar à medida que as equipes de resgate chegassem a comunidades isoladas da região.HENRIETTE O Félix perdeu ainda mais força ontem, chegando à região de Chiapas, no sul do México, como uma chuva forte. Da mesma forma, outra tormenta, a Henriette, que atingiu o território mexicano duas vezes nos últimos dias, também chegou aos Estados americanos de Arizona e Novo México como uma tempestade. Autoridades mexicanas divulgaram no fim da tarde o saldo de vítimas do Henriette: 9 mortos e mais de 5 mil desabrigados, além de milhares de pessoas sem luz e água.

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