INA FASSBENDER / AFP
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Com 145 mortes na Alemanha e Bélgica, chuvas põem mudança climática em pauta na UE

Aquecimento global virou tema central na campanha eleitoral alemã, país mais afetado pelas enchentes, e voltou à agenda das autoridades europeias após a catástrofe desta semana

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2021 | 16h47
Atualizado 16 de julho de 2021 | 22h15

Com 145 mortes - 125 na Alemanha e 20 na Bélgica - as enchentes causadas pelas chuvas torrenciais na Europa Ocidental levaram autoridades europeias a retomar o debate sobre as mudanças climáticas e seu impacto nos próximos anos. 

Pouco depois das cenas de destruição se tornarem o centro das atenções no país, o debate sobre as mudanças climáticas virou o principal tópico de debate no cenário político, em meio à campanha das eleições legislativas de 26 de setembro - que decidem o sucessor de Angela Merkel como chanceler. Tanto figuras da aliança entre conservadores democratas-cristãos de Merkel, quanto opositores dos partidos verdes, que buscam espaço no pleito, manifestaram-se sobre as enchentes.

Armin Laschet, o líder do Estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália, disse em uma entrevista coletiva na sexta-feira: "Precisamos tornar o estado mais à prova de clima (...) Temos que tornar a Alemanha neutra para o clima ainda mais rápido."

"Os resultados catastróficos da forte chuva nos últimos dias são em grande parte caseiros", disse Holger Sticht, que chefia o diretorio regional da Friends of the Earth Germany na Renânia do Norte-Vestfália. Ele culpou legisladores e a indústria por construir em várzeas e bosques. "Precisamos de uma mudança de curso com urgência."

Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, afirmou nesta sexta-feira, 16, que as inundações eram uma indicação clara das alterações climáticas. "É a intensidade e a duração dos eventos que a ciência nos diz que é uma indicação clara da mudança climática", disse von der Leyen. E completou: "Mostra a urgência de agir".

Número de mortes deve subir na Alemanha

Na Alemanha, onde os temporais vêm sendo considerados a pior catástrofe desde o fim da 2ª Guerra, pelo menos 103 pessoas morreram nos Estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado, na região oeste do país. Vilarejos inteiros ficaram isolados, casas foram arrastadas pelas águas ou destruídas em deslizamentos de terra e, mesmo com o fim da tormenta, autoridades apontam que ainda há o risco do transbordamento ou rompimento de barragens nos dois Estados.

Conforme a água recua, os sobreviventes relatam desespero provocado pela destruição de casas e propriedades. Segundo autoridades locais, espera-se que o número de mortes deve aumentar nos próximos dias, conforme as equipes de resgate ganham acesso às áreas afetadas. 

No distrito de Ahrweiler, no norte da Renânia-Palatinado, uma das áreas mais assoladas pela catástrofe, autoridades afirmaram que 1.300 pessoas seguiam desaparecidas na manhã desta sexta, de acordo com a agência alemã Deutsche Welle. O número, no entanto, pode estar associado à queda da rede telefônica em algumas das localidades, e pelo fato de mais de 200 mil casas terem ficado sem eletricidade.

Na Bélgica, o último balanço do governo aponta que há pelo menos 20 mortos e outros 20 desaparecidos. Cerca de 21.000 pessoas estão sem acesso à energia elétrica, e o Exército foi enviado para quatro das 10 províncias do país para participar das operações de resgate. 

Um dia de luto nacional foi decretado em 20 de julho. "Essas são as inundações mais catastróficas que nosso país já vivenciou", disse o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo.

As fortes chuvas surpreenderam os habitantes e alguns ficaram ilhados pelas enchentes e transbordamentos de rios. Há relatos sobre vítimas que morreram afogadas em porões que inundaram. Luxemburgo, Holanda e Suíça também sofreram grandes danos materiais.

A destruição provocada pela chuva ocorreu poucos dias depois da União Europeia anunciar um plano ambicioso para abandonar os combustíveis fósseis nos próximos nove anos, como parte dos planos para tornar o bloco neutro em emissões de carbono até 2050. Ativistas ambientais e os políticos rapidamente traçaram paralelos entre as enchentes e os efeitos das mudanças climáticas.

As inundações são um fenômeno complexo com muitas causas, incluindo o desenvolvimento da terra e as condições do solo. Embora fazer um vínculo entre as mudanças climáticas e um evento específico de inundação exija uma análise científica extensa, é possível dizer que esse elemento, que já está causando chuvas mais fortes e muitas tempestades, é uma parte cada vez mais importante da mistura. Uma atmosfera mais quente retém e libera mais água, seja na forma de chuva ou de neve pesada no inverno./ AFP e NYT

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