Ivor Prickett/The New York Times
Ivor Prickett/The New York Times

Mortes por terrorismo caem, mas avanço da extrema direita e de grupo jihadista preocupa, diz estudo

Conclusões do Índice de Terrorismo Global, realizado pelo Instituto para a Economia e a Paz (IPE) com dados de 163 países, foram divulgados nesta quarta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2020 | 03h20

LONDRES - As mortes por terrorismo caíram em 2019 pelo quinto ano consecutivo (15% em relação ao ano anterior), embora haja "riscos emergentes" no mundo, como os avanço da extrema direita no ocidente e do Estado Islâmico Jihadista na África Subsaariana. Essa é a conclusão do Índice de Terrorismo Global, divulgado nesta quarta-feira, 25.

Este estudo anual, realizado em 163 países pelo Instituto para a Economia e a Paz (IPE), revela que desde 2014 o número de mortes por causas terroristas caiu 59%, para 13.826, e que os conflitos continuam a ser os principais motores dessas ações. Em 2019, mais de 96% dessas mortes ocorreram em países assolados por conflitos.

O texto indica que as maiores quedas no número de vítimas ocorreram no Afeganistão e na Nigéria, embora esses dois sejam os únicos Estados em que foram registradas mais de mil mortes por terrorismo.

O IPE identifica um retrocesso geral no impacto global do terrorismo, com melhorias em 103 países em comparação com 35 onde a situação piorou.

Steve Killelea, autor do relatório e diretor executivo do IPE, afirma à Efe que "em linhas gerais" o panorama que este ranking dá é "bom".

Durante o ano passado, 63 países registraram pelo menos uma morte em um ataque e o maior aumento foi em Burkina Faso, onde as mortes por esta causa aumentaram 590%, enquanto Sri Lanka, Moçambique, Mali e Níger experimentaram queda substancial.

Os dez estados com maior impacto do terrorismo foram Afeganistão, Iraque, Nigéria, Síria, Somália, Iêmen, Paquistão, Índia, República Democrática do Congo e Filipinas. Pelo segundo ano consecutivo, o Sul da Ásia foi a região mais afetada por esse fenômeno, enquanto a América Central e o Caribe registraram o menor impacto.

Oriente Médio e Norte da África, a maior melhoria a nível regional

O Oriente Médio e o Norte da África (MENA) registraram a maior melhoria regional no terrorismo pelo segundo ano consecutivo, com o menor número de mortos desde 2003 por esse motivo.

Killelea observa que à medida que entramos na nova década, novas "ameaças de terrorismo" emergem e cita como as duas "principais preocupações" a "ascensão da extrema direita no Ocidente", com grupos simpáticos como "nazistas, supremacistas brancos ou outros grupos fascistas", e o Estado Islâmico jihadista (IS), que se mudou para a África Subsaariana.

Na opinião do especialista, para acabar com essas influências é necessário “quebrar a cobertura da mídia e das redes sociais, alterar seus recursos de financiamento e diminuir o número de apoiadores”.

Em 2019, o Taleban era o grupo terrorista mais mortal, embora as mortes atribuídas a esse grupo tenham diminuído 18%. A força e a influência do Estado Islâmico (ISIS) também diminuíram e, pela primeira vez, ele foi responsável por menos de mil mortes em um ano.

No entanto, apesar do declínio na atividade do EI no Oriente Médio e no Norte da África, suas afiliadas ainda estão ativas em todo o mundo e 27 países sofreram um ataque atribuído a elas.

Por sua vez, a África Subsaariana é a área mais afetada, com sete em cada dez países que registraram os maiores aumentos de mortes por terrorismo na região.

Mais terrorismo de extrema-direita no ocidente

Quanto à América do Norte, Europa Ocidental e Oceania, o relatório detecta um aumento da ameaça do terrorismo de extrema direita nos últimos cinco anos. Nessas regiões, esses incidentes aumentaram 250% entre 2014 e 2019, e no ano passado 89 mortes foram relacionadas a terroristas de extrema direita.

Nesse índice dos 163 países mais afetados pelo terrorismo, liderado pelo Afeganistão, a Espanha caiu quatro posições e situa-se em 63ª, tendo em conta a sua situação nos últimos cinco anos.

Em relação à atual pandemia de covid-19, o documento assinala que se detectou um declínio nos incidentes e mortes por terrorismo na maioria das regiões do mundo, segundo dados preliminares, mas alerta que previsivelmente apresentará novos desafios.

Thomas Morgan, pesquisador do IPE, diz à Efe que, "no curto prazo, o impacto da crise do coronavírus na luta contra o terrorismo resultou na queda dos níveis de terrorismo", mas, alerta ele, "no longo prazo seus efeitos podem ser potencialmente devastadores."

Isso se deve, explica, a fatores como "extrema incerteza econômica e a volatilidade da economia", que podem levar a uma retomada dos níveis de terrorismo, "embora seja difícil de prever"./EFE

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