Morto há 29 anos, Perón não escapa do teste de DNA

O general Juan Domingo Perón, mesmo morto há 29 anos continua dando o que falar. Desta vez, a notícia é o próprio cadáver do mítico general, que por ordem da juíza civil Irene Alvear, será exumado para a realização de um exame de DNA. O exame - que ocorreria nos próximos dias - será usado para comprovar se Marta Holgado é filha do homem considerado a figura mais importante da História argentina no século 20. Além do sobrenome "Perón", ela teria direito à uma lendária herança, sobre a qual existem rumores de que seria "milionária". De quebra, como Perón não teve filhos, Marta poderia até aspirar ter algum protagonismo político em um país como este, onde o nome "Perón" - sinômimo de política assistencialista e nacionalista - é capaz de angariar centenas de milhares de votos.A viíva de Perón, a ex-presidente María Estela Martínez de Perón (1974-76), conhecida como "Isabelita", que reside em Madri há mais de duas décadas, a considera uma "delirante". Para o principal historiador do Peronismo, Fermín Chávez, o assunto "é um disparate, uma loucura". Segundo ele, Perón teria tido um acidente de motocicleta que o impediu de ter filhos. Os advogados de Isabelita Perón alegam que Marta é uma aproveitadora, e que inventou a trama quando mais de três décadas atrás, em um hotel de Roma, disse aos gritos que era filha do presidente argentino, para se esquivar de pagar a conta.A Justiça, que havia colocado o caso em banho-maria nos últimos quatro anos, decidiu ordenar a realização do exame de DNA pelo surgimento de três testemunhas que confirmam a versão de que Marta seria filha de Perón.Marta, que é a cara de Perón, tenta há dez anos ser reconhecida como a filha de "el general". Segundo alega, ela seria fruto de um affaire que sua mãe, María Cecilia Demarchi, teve com Perón entre 1933 e 1934. Na época, sua mãe estava separada de seu marido, Eugenio Holgado. O problema era que Perón estava casado com sua primeira esposa, Aurelia Tizón. Por este motivo, e para não prejudicar sua florescente carreira militar, Perón - que ainda não era o poderoso caudilho em que se transformaria depois - não reconheceu sua filha.Pouco depois do nascimento, Demarchi voltou a morar com seu ex-marido, que reconheceu a bebê como sua filha. Posteriormente, Perón ficou viúvo, mas voltou a casar-se de novo, com Eva Duarte, que ficaria famosa como "Evita", a "mãe dos descamisados". Viúvo novamente, em 1953, quando Marta Holgado tinha 19 anos, Perón teria enviado um guarda-costas conversar com ela, para informar-lhe quem era seu pai.O deputado peronista Lorenzo Pepe anunciou que pediria à juíza Alcorta que impeça o exame de DNA no corpo de Perón. "Seu corpo já sofreu muito. Seu túmulo foi violado, no passado. E além disso, cortaram suas mãos (as mãos de Perón foram cortadas por vândalos nos anos 80). Temos que salvar o que resta". Diversos militantes peronistas idosos, que com freqüencia visitam o túmulo de "el general" no cemitério de Chacarita, afirmam que impedirão o acesso ao túmulo. "Terão que passar por cima de nossos cadáveres", sustentam.

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