Mortos chegam a 80 e Maliki dá ultimato a milícia

Premiê iraquiano fixa prazo até amanhã para rendição de rebeldes que controlam parte de Basra

NYT E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2008 | 00h00

Um dia após lançar uma ampla ofensiva contra rebeldes xiitas em Basra, no sul do Iraque, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki deu um ultimato aos milicianos que controlam partes da cidade, dizendo que eles têm até amanhã para se render ou "enfrentarão as mais severas punições". O confronto iniciado terça-feira entre tropas do governo e a milícia Exército Mehdi - controlada pelo clérigo radical xiita Muqtada al-Sadr - já deixou pelo menos 80 mortos. Sadr fez ontem um apelo para que o governo aceite iniciar conversações para pôr fim à repressão contra sua milícia. Na véspera, ele havia reiterado que ainda estava em vigor o cessar-fogo do Exército Mehdi, declarado há sete meses. Mesmo assim, prosseguiram os choques. Só em Basra, pelo menos 40 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas, segundo funcionários de hospitais. "As últimas horas foram um inferno. Não via algo assim desde que as tropas estrangeiras chegaram aqui, em 2003", disse à Reuters Faris Hayder, morador de Basra.Em Bagdá, no bairro xiita de Cidade Sadr (reduto do Exército Mehdi), choques entre milicianos e soldados deixaram 14 mortos e 140 feridos. Em Hilla, no sul do país, helicópteros do Exército americano foram chamados para apoiar uma ofensiva da polícia iraquiana e em Kut (no leste), e ao menos 18 pessoas morreram. Milhares de xiitas saíram às ruas em Bagdá e em Kerbala para protestar e pedir que o governo suspenda a ofensiva, que envolve 30 mil soldados e policiais. Os confrontos são uma grave ameaça à trégua da milícia de Sadr, que foi fundamental para reduzir a violência no Iraque em 60% no último semestre. Se a milícia retomar seus ataques em larga escala, isso pode minar os planos dos EUA de reduzir de 160 mil para 140 mil o total de soldados americanos no país. O general Kevin Bergner, porta-voz do Exército dos EUA, disse que as forças americanas e britânicas estão se limitando a dar apoio aéreo às tropas do governo. "Essas são decisões iraquianas implementadas e dirigidas por líderes iraquianos."

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