Mortos em atentado no Iraque chegam a 500, diz CNN

Ataque múltiplo de terça-feira foi o mais sangrento em quatro anos

NEW YORK TIMES, ASSOCIATED PRESS, FRANCE PRESSE, REUTERS E EFE, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

Autoridades da Província de Ninevah, norte do Iraque, afirmaram ontem que chegou a 500 o número de mortos nos ataques suicidas em série de terça-feira perto de Mossul. A informação foi divulgada pela rede de TV americana CNN. Anteriormente, fontes do Exército iraquiano e da polícia de Mossul tinham falado em pelo menos 260 mortos e 320 feridos.O atentado foi o mais sangrento desde a invasão americana, em março de 2003. Quatro terroristas suicidas detonaram caminhões-bomba em dois povoados nas proximidades de Mossul e da fronteira do Iraque com a Síria.Segundo as autoridades iraquianas, os ataques tiveram como alvo uma comunidade de yazidis. Os yazidis são membros de uma antiga seita curda que surgiu há mais de 4 mil anos e tem cerca de 75 mil seguidores apenas no Iraque. Seus seguidores alegam ser perseguidos por adorarem como manifestação de Deus o anjo-pavão, chamado Malek Taus - que, no entanto, é identificado por muçulmanos e cristãos como satã.Em abril, 23 yazidis foram executados por extremistas sunitas em Mossul, num ataque considerado uma retaliação pela morte de uma jovem yazidi que havia se convertido ao Islã após ter-se apaixonado por um sunita. A jovem foi forçada pela família a voltar para sua cidade, onde foi apedrejada até a morte.O Exército americano disse ontem que a rede Al-Qaeda é a principal suspeita de ter arquitetado os ataques de terça-feira na Província de Ninevah. A rede terrorista liderada por Osama bin Laden é predominantemente sunita e, segundo o general americano Benjamin Mixon, integrantes da comunidade yazidi receberam cartas com ameaças, mandando-os deixar a região por serem ''''infiéis''''.''''Este é um ato de limpeza étnica'''', disse o general Mixon. ''''Podemos até falar que foi um caso de genocídio se considerarmos o fato de que o ataque foi contra uma minoria.''''O porta-voz do Ministério do Interior iraquiano, general Abdul Karim Khalaf, disse que os caminhões estavam carregados com duas toneladas de explosivos e assinalou que cerca de 30 casas e outras construções foram destruídas. De acordo com Khalaf, o local dos atentados parecia o resultado de uma ''''pequena explosão nuclear''''. PIORES ATAQUES2/3/2004: Ataques em Bagdá e Kerbala matam 17128/2/2005: Carro-bomba em Hilla deixa 125 mortos5/1/2006: Suicidas matam 120 em Kerbala e Ramadi23/11/2006: Carros-bomba em Cidade Sadr matam 2023/2/2007: Caminhão-bomba deixa 135 mortos em Bagdá27/3/2007: Caminhões-bomba matam 152 em Tal Afar18/4/2207: Explosões em Bagdá deixam 191 mortos7/7/2007: Caminhão-bomba em Tuz Khurmato mata 150

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