Mortos em Bangladesh chegam a 531

Autoridades prendem engenheiro que participou de obra e alertou para o risco de edifício desabar

DACA, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2013 | 02h01

Bangladesh acirrou o cerco ontem contra os que considera responsáveis pelo desabamento, ocorrido na semana passada, do edifício que abrigava instalações de indústria têxtil em Savar, a 30 quilômetros da capital, Daca. No mesmo dia, os socorristas elevaram o número oficial de mortos para 531 e o ministro das Finanças do país, Abul Maal Abdul Muhith, afirmou não considerar a tragédia um incidente "realmente sério".

O governo central suspendeu o prefeito de Savar, Mohamed Refathllah, e anunciou a prisão do engenheiro Abdur Razzak Khan, acusado de auxiliar o responsável pelo imóvel a adicionar ilegalmente três andares ao prédio, de oito pavimentos. Khan afirma que, depois de ter vistoriado o edifício na véspera do desabamento do dia 24, quando rachaduras foram encontradas no imóvel, pediu ao dono, Mohamed Sohel Rana, que retirasse todos os trabalhadores do local.

A polícia chegou a ordenar a saída dos funcionários. De acordo com testemunhas, porém, na manhã seguinte, Rana disse a trabalhadores que se aglomeravam diante do prédio, juntamente com gerentes das fábricas que operavam no edifício, que entrassem, pois as instalações estariam seguras. O desabamento ocorreu horas depois - e o dono do imóvel foi preso.

O prefeito de Savar foi acusado de negligência porque, segundo a investigação do incidente, ignorou regras ao aprovar o projeto do edifício. Refathllah é do Partido Nacionalista de Bangladesh, de oposição - para a legenda, a suspensão tem motivação política.

As autoridades de Bangladesh afirmam que o número oficial de mortos pelo desabamento, que na quinta-feira era de 433, ainda deverá aumentar.

Em visita a Nova Délhi, o ministro das Finanças do país minimizou a importância do desabamento: "Bom, não penso que isso seja realmente sério. Foi um acidente", afirmou Abdul Muhith. "Os passos que demos para garantir que isso não aconteça (de novo) foram planejados e acredito que serão bem aceitos", declarou o ministro, dizendo não estar preocupado com a possível diminuição de pedidos de compradores estrangeiros dos produtos da indústria têxtil de seu país - em razão das más condições de trabalho dos funcionários. O governo fez promessas parecidas depois de um incêndio em uma confecção há cinco meses que deixou 112 mortos. / AP

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