Mortos em deslizamento de rochas no Egito sobem para 47

Pedras maciças caem sobre mais de 50 casas em área pobre de Cairo, deixando mais de 500 soterrados

Agência Estado e Associated Press,

08 de setembro de 2008 | 10h55

O número de mortes provocadas por uma avalanche de pedras sobre uma favela no Cairo subiu para 47 nesta segunda-feira, 8, informou um agente que trabalha nos esforços de resgate, intensificados hoje depois de dois dias de demora. As equipes de resgate começaram a usar máquinas pesadas, como retroescavadeiras, para deslocar as pesadas pedras que rolaram de uma instável encosta sobre a favela de Manshiyet Nasr no sábado. A expectativa é de que, com a aceleração dos trabalhos de resgate, o número de mortes aumente acentuadamente. Teme-se que centenas de corpos estejam sob os escombros. Ao todo, 47 corpos haviam sido recuperados do local da tragédia até o meio-dia desta segunda, disse uma pessoa engajada nos trabalhos de resgate sob a condição de que sua identidade fosse mantida sob sigilo. De acordo com o Ministério da Saúde do Egito, 57 pessoas receberam tratamento médico por ferimentos sofridos durante o deslizamento. Destas, 21 continuam internadas em hospitais no Cairo. Moradores e testemunhas relataram que o odor de corpos em decomposição é muito penetrante no local da tragédia ocorrida no último sábado. Há pouca esperança de que sobreviventes venham a ser encontrados sob as enormes rochas que destruíram a favela de Manshiyet Nasr. A agência estatal de notícias informou que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, convocou uma reunião de emergência com seus ministros para organizar o atendimento aos afetados. A agência não informou, no entanto, se alguma decisão chegou a ser tomada. Durante o fim de semana, diversos grupos criticaram a lenta resposta do governo à tragédia. No domingo, a polícia egípcia retirou moradores e jornalistas de Manshiyet Nasr em meio a temores de que mais pedras rolassem de uma instável encosta no sopé da qual jaz essa favela densamente povoada. Manshiyet Nasr é cercada de encostas instáveis e fica às margens de uma ferrovia. Aboul-Ela Amin Mohammed, diretor do departamento de terremoto do Instituto Nacional de Pesquisas Astronômicas e Geofísicas, disse ontem que ainda há riscos de que novos deslizamentos ocorram. "Esta não foi a primeira vez nem será a última", disse ele à Associated Press. "A região é repleta de construções ilegais e não possui sistema de esgoto central. Quando o esgoto chega à frágil superfície rochosa, a consistência do solo muda, transformando-se em algo como uma pasta de farinha molhada." Desastres similares ocorreram em 1994 e em 2002, mas apenas nos últimos meses os moradores da favela começaram a se queixar da instabilidade do solo da região.

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