Mortos em terremoto chegam a 235

Novo sismo de 5,3 graus causa pânico na região, mas não deixa vítimas; número de desabrigados é de 25 mil

Andrei Netto, ÁQUILA, ITÁLIA, O Estadao de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 00h00

A região de Abruzzo, no centro da Itália, ainda conta os mortos do maior terremoto a atingir o país nos últimos 29 anos. Segundo balanço divulgado ontem pela defesa civil, 235 mortos já foram resgatados dos escombros nas 26 cidades ou vilarejos atingidos pelos tremores na madrugada de segunda-feira (domingo à noite no Brasil). Ontem, em meio à mobilização nacional pelo socorro e atendimento às vítimas, um novo abalo, de 5,3 graus na escala Richter, trouxe de volta o pânico à região. Veja linha do tempo com os piores terremotos dos últimos anosDesde a madrugada de segunda-feira, 280 réplicas - tremores de menor intensidade que sucedem ao mais intenso - já foram registradas pelo Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália. A última ocorreu ontem às 17h45, nas imediações de Áquila, perto do epicentro do terremoto. Segundo a defesa civil, 1,5 mil pessoas ficaram feridas nos desabamentos e 34 continuavam desaparecidas até a noite de ontem. Dez mil casas ou prédios foram destruídos ou afetados - entre eles um castelo do século 15 e patrimônios históricos como a Igreja Santa Maria Paganica. As primeiras estimativas do Ministério do Interior indicam um prejuízo de ? 1,3 bilhão. A boa notícia é que o número oficial de desabrigados é de apenas 25 mil. Na segunda-feira, estimativas mais otimistas indicavam que pelo menos 50 mil pessoas haviam perdido suas casas. Os desabrigados dividiram-se entre os que optaram por deixar a região e abrigar-se em casas de parentes e amigos em outras cidades; em um dos 4 mil quartos locados pelo governo em hotéis da Costa Adriática da Itália; ou nos dez campos de refugiados instalados pela defesa civil em estádios e ginásios. Em visita a Áquila, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi disse ontem que o objetivo era chegar a 20 campos, com capacidade para abrigar 14,5 mil pessoas.Durante sua permanência, Berlusconi agradeceu as manifestações de apoio e ofertas de auxílio enviadas por 35 países, e demonstrou autoconfiança. "Pedimos que não enviem ajuda. Estamos preparados para responder sozinhos às nossas necessidades", argumentou. "Somos um povo orgulhoso e que tem meios. Nós agradecemos, mas podemos enfrentar (a tragédia) sozinhos."Desde a madrugada de segunda-feira, o Ministério do Interior não mede esforços para demonstrar agilidade e competência na condução do drama e no atendimento das vítimas. Mais de 7 mil homens - entre bombeiros, policiais, agentes da defesa civil e membros de equipes de resgate - estão em Abruzzo trabalhando em diferentes frentes. Em Áquila, enquanto operários iniciavam a demolição de construções condenadas, equipes ainda procuravam soterrados. "Estamos um pouco cansados, mas muito ativos. A estrada ainda é longa. Trabalhamos motivados pela adrenalina", disse Fabrizio Curcio, um dos coordenadores da defesa civil em Áquila. Os bombeiros trabalhavam ontem na expectativa de pequenos milagres. O resgate de Maria Valente, de 24 anos, removida de madrugada com ferimentos leves após passar 23 horas soterrada, mas protegida por um alicerce, reforçou o otimismo. Sete horas depois, Maria d?Antuono, de 98 anos, também foi encontrada (mais informações nesta página_.Os jovens desaparecidos nas ruínas da casa de estudantes da Universidade de Áquila não tiveram a mesma sorte. Segundo o reitor Ferdinando di Orio, os corpos de quatro universitários foram encontrados ontem pelas equipes de resgate.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.