Mortos em terremoto na Índia podem chegar a 13 mil

Cerca de 13 mil pessoas podem ter morrido por causa do terremoto de 7,9 graus na escala Richter, que atingiu na sexta-feira o oeste da Índia, informaram hoje autoridades locais. Segundo funcionários do governo, mais de 2.500 corpos já foram recuperados. O número de mortos no pior terremoto a atingir a Índia em mais de meio século continua aumentando e as últimas cifras divulgadas indicavam que as equipes de resgate já não tinham tanta esperança de encontrar muitos sobreviventes sob os escombros das casas e dos prédios que, segundo testemunhas, desmoronaram como um castelo de cartas."Há mais de 10 mil mortos só no distrito de Kutch", disse o ministro dos Transportes de Gujarat, Bimal Shah, referindo-se à região perto da fronteira com o Paquistão, local do epicentro do terremoto. "No restante do Estado de Gujarat deve haver 2 mil ou 3 mil mortos." Ele assinalou que há 14 mil feridos. O tremor também atingiu o vizinho Paquistão, onde pelo menos dez pessoas morreram.Na maior cidade de Gujarat, Ahmedabad, 16 adolescentes morreram quando a escola de quatro andares em que estudavam desabou. Provavelmente mais 15 alunos ainda estavam hoje soterrados. "Até a tarde de sexta-feira, eu podia ouvir os gritos dos estudantes. Agora não ouço nada. Mas continuaremos nosso trabalho de busca", disse o inspetor de polícia Ramesh Barot, responsável pelas equipes de resgate em Ahmedabad.Em Bhuj, uma cidade com 150 mil habitantes costeira perto da fronteira com o Paquistão e situada a 20 quilômetros do epicentro do terremoto, estima-se que cerca de 400 crianças que assistiam a um espetáculo em uma escola tenham ficado soterradas pelos escombros. Segundo o inspetor-geral de Bhuj, P. P. Afjha, as crianças celebravam o Dia da República, feriado nacional na Índia, quando o prédio ruiu. Ao longo das estradas rachadas que levam a Bhuj, as casas e os prédios em ruínas dominavam o cenário.Em Pachhao, antes um próspero povoado de 40 mil habitantes a 70 quilômetros de Bhuj, cerca de 90% das construções desabaram. Sete caminhões-tanque já haviam chegado hoje a Bhuj, mas pontes e estradas destruídas obstruíam o envio de barracas de campanha, cobertores, alimentos e remédios, informou o ministro indiano da Agricultura, Bhaskar Barua.Helicópteros da Força Aérea foram usados para levar geradores, telefones por satélite, médicos e engenheiros para a cidade. O ministro acrescentou que o hospital de Bhuj não estava funcionando e havia apenas 90 leitos no hospital militar.Em Ahmedabad, os sobreviventes cavavam com as mãos entre os escombros, procurando seus pertences ou ouvindo os sons em busca de parentes e amigos, enquanto as equipes de socorro trabalhavam apenas com barras de ferro, picaretas ou pás para retirar os entulhos.A comunidade internacional reagiu imediatamente e começou hoje a enviar ajuda econômica e equipes de resgate à Índia. O primeiro país a apresentar condolências foi o vizinho e rival tradicional Paquistão, com quem a Índia já travou três guerras. A China, antiga inimiga da Índia, também manifestou sua tristeza e ofereceu uma ajuda de US$ 50 mil por meio da Cruz Vermelha. A Grã-Bretanha, ex-potência colonial da Índia, enviou US$ 4,5 milhões.

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