Mortos em tremor na China chegam a 1.706

Homem de 68 anos é resgatado com vida após quatro dias sob os escombros; cem mil continuam desabrigados

Claudia Trevisan, correspondente em Pequim, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2010 | 00h00

Equipes chinesas resgataram ontem um homem de 68 anos que sobreviveu quatro dias sob os escombros de uma construção derrubada pelo terremoto que, na terça-feira, atingiu a província de Qinghai. O número de mortos subiu para 1.706, enquanto o de desaparecidos caiu para 256.

O presidente Hu Jintao esteve ontem na área do tremor, onde visitou feridos e se reuniu com desabrigados. Localizada na fronteira com o Tibete, a quase 4 mil metros de altitude, a região é pobre e de difícil acesso. O aeroporto de grande porte mais próximo está em Xining, capital de Qinghai, e a viagem por terra entre as duas cidades dura 12 horas. Hu pousou em um aeroporto menor localizado em Yuhsu, o epicentro do tremor.

Os obstáculos logísticos foram a principal razão da demora na distribuição de tendas, água e alimentos aos 100 mil desabrigados do distrito de Yushu, também conhecido como Jiegu. O diretor de combate a desastres do Ministério de Assuntos Civis, Zou Ming, afirmou ontem que a maioria dos afetados pelo tremor já está vivendo em tendas. Nas três noites posteriores ao terremoto, grande parte dos desabrigados ficou ao relento, em temperaturas de até cinco graus negativos. Zou ressaltou que o transporte de suprimentos para a região atingida pelo tremor continuará a ser problemático.

Mudança de planos. Hu viajava dos EUA para o Brasil quando foi informado do terremoto de Qinghai. O presidente chinês pediu ao colega Luiz Inácio Lula da Silva que antecipasse de sexta-feira para quinta a reunião dos quatro países que compõem o Bric. Na mesma noite, ele retornou a Pequim. O primeiro-ministro, Wen Jiabao, também adiou compromissos internacionais e viajou a Qinhai.

As autoridades chinesas se esforçam para demonstrar às vítimas do terremoto dedicação similar à registrada no tremor ocorrido na província de Sichuan há quase dois anos, no qual 87 mil pessoas morreram. Na ocasião, a maioria das vítimas era de chineses han, a etnia à qual pertencem Hu, Wen e mais de 90% dos chineses.

O tremor da semana passada matou principalmente tibetanos, o grupo étnico que tem uma das relações mais conflituosas com as autoridades de Pequim. Há pouco mais de dois anos, uma série de confrontos no Tibete e em províncias vizinhas revelaram a animosidade entre tibetanos e hans na região. A área atingida pelo tremor não registrou conflitos à época, mas é culturalmente idêntica ao Tibete.

O abismo entre tibetanos e hans ficou evidente na dificuldade de comunicação entre os integrantes das equipes de resgate - que não falam a língua local - e as vítimas, que não se expressam em mandarim.

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