Mortos estão em lista da ONU contra terrorismo, diz embaixador

Dezenas de suspeitos de terrorismo permanecem numa lista para sanções da Organização das Nações Unidas apesar de provavelmente já terem morrido, e informações sobre outras pessoas são tão poucas que a inclusão delas na relação não tem nenhum efeito, disse nesta terça-feira um embaixador da ONU.

ANU, REUTERS

14 de julho de 2009 | 20h21

Essas falhas tornam mais difícil reprimir pessoas e empresas da lista ligadas à Al Qaeda e ao Taliban, mesmo quando novas ameaças surgem em países como a Somália, por exemplo, segundo o embaixador Thomas Mayr-Harting, que comanda o comitê de sanções contra a Al Qaeda e o Taliban, uma comissão do Conselho de Segurança da ONU.

Dos 513 itens da lista, acredita-se que 38 pessoas estão mortas, afirmou Mayr-Harting, que também é embaixador da Áustria na ONU, a jornalistas.

"Não é o propósito da lista conter pessoas mortas", disse ele.

A retirada dos nomes dos mortos da lista exige consenso entre todos os membros, o que torna o processo lento, segundo o embaixador.

Parentes dos mortos não têm acesso a bens congelados até os nomes serem cortados da relação.

Um terço das entradas da lista carecem de informações básicas, como nomes completos, datas de nascimento e outras particularidades. Sem esses detalhes, a polícia, guardas de fronteira e instituições financeiras não podem congelar fundos ou impedir viagens, declarou o embaixador.

"Você tem que ganhar credibilidade ou melhorando a lista ou retirando os nomes", afirmou.

Uma resolução adotada no ano passado tem ajudado o comitê a fazer a relação mais relevante. A comissão revisa a lista caso a caso e espera retirar os itens sem importância até meados do ano que vem.

O Conselho de Segurança criou o comitê, composto por 15 membros, em 1999, para impor sanções num Afeganistão controlado pelo Taliban, por causa do apoio dado ao líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.

Agora, a lista inclui nomes de pessoas e empresas com laços com o Taliban e a Al Qaeda.

A ameaça representada por eles aumentou de forma drástica desde então, mas a lista não reflete essa mudança de situação, na opinião de Mayr-Harting.

O grupo Al Shabab, da Somália, acusado pelos Estados Unidos de manter relação estreita com a Al Qaeda, não está na lista, segundo Richard Barrett, coordenador da equipe da ONU que monitora as sanções.

"Os elos entre os dois grupos, claramente, não são suficientes para o Conselho colocá-lo na lista", disse Barrett.

O grupo somali tem conquistado vitórias no esforço para derrubar o governo transitório, apoiado pelo Ocidente, do país.

Tudo o que sabemos sobre:
ONULISTAMORTOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.