Mortos na Líbia chegam a 20, segundo oposição

Protestos contra regime de Kadafi, o mais antigo da região, espalharam-se por pelo menos 5 cidades do país após a convocação de ''dia de fúria''

, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

TRÍPOLI

Manifestantes líbios tomaram as ruas de pelo menos cinco cidade do país ontem, em mais um dia de protestos contra o governo de Muamar Kadafi, no poder há quatro décadas. O "dia de fúria" da Líbia acabou em confronto entre apoiadores e opositores do regime. Segundo a oposição, pelo menos 20 pessoas morreram durante as manifestações desta semana.

A organização não governamental Human Rights Watch (HRW) afirmou que forças de segurança líbias prenderam 14 pessoas. Na capital, Trípoli, centenas de apoiadores do de Kadafi marcharam, bloqueando o trânsito em diversas região, de acordo com testemunhas, e não houve confronto. "Estamos defendendo Kadafi!", gritaram os governistas na Praça Verde.

O site de oposição Libya al-Youm afirmou que a violência tomou conta em Beyida, Benghazi, Zentan, Rijban e Darnah. A exemplo do que ocorreu na Tunísia, no Egito e em outros países do norte da África e Oriente Médio, os protestos de ontem foram convocados em sites de redes sociais.

"Hoje (ontem), os líbios quebram uma barreira de medo. É um novo alvorecer", disse Faiz Jibril, líder opositor atualmente no exílio. Segundo a oposição, quatro manifestantes foram executados por atiradores de elite das Forças Internas de Segurança em Beyida, onde protestos ocorreram na quarta-feira e ontem.

O dissidente Fathi al-Warfali, porém, declarou que Beyida 11 manifestantes na noite da quarta-feira por batalhões do Exército deslocados para conter os protestos na região. Mohammed Ali Abdellah, vice-líder do Fronte Nacional para a Salvação da Líbia, partido que atua no exílio, afirmou que os hospitais da cidade receberam cerca de 70 feridos desde a noite de quarta-feira. Segundo ele, faltou material médico para atender todas as vítimas.

Em Benghazi, segunda maior cidade do país, seis pessoas foram baleadas e mortas ontem, de acordo com o site de oposição. Um morador da região disse à agência Reuters que, na vizinha Al-Bayda, outras cinco pessoas morreram durante protestos. "A situação ainda está complicada. Os jovens não querem escutar ao que os mais velhos têm a dizer." A mesma fonte disse que em Ajdabya, a 160 quilômetros de Benghazi, "várias pessoas" foram mortas. Historicamente, o apoio a Kadafi é fraco a região.

Os opositores reivindicam liberdade política, respeito pelos direitos humanos e o fim da corrupção na Líbia. Kadafi, porém, afirma que o país tem "uma democracia verdadeira", em um sistema cujas regras têm base em instituições chamadas "comitês populares". O jornal Quryna afirmou que um chefe regional de segurança de Al-Bayda foi afastado. AP e REUTERS

FICHA TÉCNICA

Opositores exigem liberdade política, respeito aos direitos humanos e o fim da corrupção

Líder

Muamar Kadafi

No poder

desde 1969

População

6,4 milhões

Área

1,7 milhão de km2

Capital

Trípoli

Regime

Sem Constituição

Alianças

Antes tratado como pária, hoje o país é considerado aliado do Ocidente

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