Mortos nas Filipinas chegam de fato a 1.800

Equipes de resgate não encontraram sobreviventes neste sábado nos trabalhos de busca pelas mais de 1.800 pessoas soterradas - segundo estimativas do governo das Filipinas - por um deslizamento de terra na sexta-feira no povoado de Guinsaugon, na Ilha de Leyte, região central do país. Apenas 57 pessoas foram retiradas vivas e, pelo menos, 46 corpos encontrados. Praticamente toda a população de Guinsaugon ficou soterrada e quase não há esperança de encontrar pessoas sobreviventes.A tragédia foi provocada pelas fortes chuvas, que continuavam a cair hoje na região, aumentando o risco de novos deslizamentos. Autoridades ordenaram a remoção da população de 11 vilarejos na área devastada.Em algumas áreas mais baixas do povoado a lama acumulada chega a ter 10 metros de altura. As buscas foram dificultadas pela forte chuva que continuava a cair hoje sobre a região. Dois navios de guerra e mil homens das forças dos EUA estacionadas na região chegaram hoje à ilha para ajudar no socorro. À noite, os trabalhos de resgate são suspensos por falta de luz.O deslizamento de terra sepultou pelo menos 370 casas e uma escola primária de Guinsaugon. Grandes áreas do povoado agrícola de Guinsaugon, perto da cidade de Saint Bernard, ficaram cobertas por um lodo avermelhado, com as copas de algumas palmeiras e alguns tetos aparecendo. Estradas bloqueadas, pontes inundadas, linhas telefônicas cortadas e falta de equipamento adequado dificultavam os trabalhos de resgate. Outros dois povoados da Ilha de Leyte - 676 quilômetros ao sudoeste de Manila - também foram afetados e cerca de 3 mil pessoas foram retiradas.As autoridades pediram às pessoas que cavassem com as mãos para tentar encontrar sobreviventes, pois o lodo mole não permite o uso de maquinário pesado. Estima-se que 200 estudantes, 6 professoras e a diretora estavam na escola soterrada. Houve relatos não confirmados de que sobreviventes no colégio teriam enviado mensagens de texto por celulares, com pedidos de socorro. A própria presidente filipina, Gloria Macapagal Arroyo, mencionou essas informações. Isso fez com que fossem intensificados os esforços de resgate na área. Até hoje à noite, ninguém foi encontrado vivo. "Gostaria de acreditar que é verdade", disse a governadora da região, Rosette Lerias. "Estou apostando no benefício da dúvida, por isso estamos concentrando os esforços no edifício da escola."De acordo com o sargento Bienvenido Plaza, do grupo de resgate da Força Aérea das Filipinas, as equipes gritavam e faziam barulho na esperança de que sobreviventes pudessem ouvir. A resposta era sempre o silêncio.

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