Dwi Oblo/Reuters
Dwi Oblo/Reuters

Mortos no caos indonésio já são 331

Equipes de resgate tentam chegar às áreas isoladas em busca das centenas que desapareceram em terremoto, tsunami e erupção

, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2010 | 00h00

Autoridades indonésias e organizações internacionais tentavam ontem encontrar centenas de desaparecidos e enterrar os 331 mortos registrados, enquanto o país se recupera do terremoto seguido de tsunami e uma erupção vulcânica que afetaram o maior arquipélago do mundo na noite de segunda-feira.

Nas Ilhas Mentawai, a oeste de Sumatra, região mais duramente afetada, equipes de resgate ainda tentam chegar às zonas mais remotas, cujos acessos foram bloqueados pelos escombros deixados pelo terremoto de 7,7 graus na escala Richter.

O tsunami, com ondas de mais de 3 metros de altura que avançaram mais de 600 metros em terra, pode ter sido responsável pela morte de 272 pessoas e o desaparecimento de 412. Segundo dados do governo, mais de 16 mil pessoas perderam suas casas. A preocupação imediata é fazer com que os desabrigados recebam água, alimento e cuidados médicos.

Na Ilha de Java, pelo menos 29 pessoas morreram na erupção do Vulcão Merapi, que lançou nuvens de cinza quente e vapor, cobrindo centenas de casas no interior da ilha. Pelo menos dez pessoas foram internadas com queimaduras graves.   

 

 

 

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O governo reconheceu que seu sistema de alerta de tsunamis não cobre as Ilhas Mentawai. A justificativa é que qualquer onda provocada por um terremoto nas ilhas vizinhas chegaria a Sumatra antes que qualquer alerta pudesse ser dado. "Não há tecnologia capaz de produzir um alerta como esse em menos de cinco minutos", disse Ade Edward, chefe da Agência de Coordenação em Desastres da Província de Sumatra Ocidental. "Ao longo de toda a costa, as pessoas fugiram para as áreas mais elevadas (prevendo o tsunami), ainda durante o terremoto."

Ele também disse que os pescadores foram as maiores vítimas do tsunami. "As pessoas que estavam em terra firme puderam sentir o tremor e fugir para áreas elevadas, mas os que estavam no mar não tinham ideia de que se tratava de um terremoto", disse Edward.

Os três desastres simultâneos obrigaram o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, a cancelar uma visita oficial que fazia ao Vietnã. Ele voou para a Ilha de Sumatra ontem, onde anunciou que visitaria as regiões mais afetadas pelos desastres naturais.

Ajuda emergencial. Ontem, começaram a chegar os primeiros helicópteros e aviões carregados com ajuda humanitária nas Ilhas Mentawai, lugar mais próximo do epicentro do tremor.

Trabalhadores da Cruz Vermelha Indonésia que tentaram navegar até as ilhas atingidas, na terça-feira, desistiram depois de enfrentar o mar revolto. Novas tentativas serão feitas nos próximos dias, com embarcações que levarão 400 sacos para guardar corpos, declarou Aulia Arriani, porta-voz da Cruz Vermelha.

Em muitas cidades indonésias, jovens saíram às ruas voluntariamente para arrecadar dinheiro e mantimentos para ajudar os sobreviventes, muitos dos quais perderam tudo durante a tragédia.

Mahmuddin Moedpro, ex-funcionário de uma ONG de ajuda humanitária organizou grupos de pessoas dispostas a auxiliar nas arrecadações. "São associações voluntárias para ajudar a humanidade", disse ele. A iniciativa pode aliviar a situação de muitos sobreviventes em áreas remotas.

Destruição. Os locais mais duramente afetados foram as Ilhas Selatan e Pagai Utara, onde a maioria dos vilarejos foi arrasada pelo tsunami. Desde o tremor principal - cujo epicentro foi registrado a 33 quilômetros de profundidade - outros 14 terremotos de menor intensidade foram sentidos, o maior mais forte com magnitude de 6,2 graus.

A falha onde ocorreu o terremoto de segunda-feira é a mesma onde, em 2004, um tremor de 9,1 graus provocou um tsunami que afetou 14 países no Oceano Índico e deixou mais de 230 mil mortos. A Indonésia fica sobre o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma zona de grande atividade sísmica e vulcânica com ocorrência de cerca de 7 mil tremores anuais, a maioria de baixa magnitude. / REUTERS e AP

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