Mortos no conflito sírio passam de 40 mil

Informação é de entidade opositora no exterior; no leste da Síria, rebeldes tomam base estratégica e campos de petróleo

BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h17

Os rebeldes da Síria capturaram ontem uma base estratégica para as forças do ditador Bashar Assad no leste do país, onde o Exército mantinha pilhas de peças de artilharia, enfraquecendo a presença do governo na região fronteiriça com o Iraque e rica em petróleo. No mesmo dia, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo insurgente com base em Londres, afirmou que o número de mortos no levante que tenta depor o regime já passa dos 40 mil.

Recentemente, os opositores sírios têm conquistado importantes posições na Província de Deir al-Zour. Ontem, a tomada da base nas imediações de Mayadeen, cidade na região do Rio Eufrates, próxima dos principais campos petroleiros da Síria, se seguiu à captura de um aeroporto militar na mesma região, ocorrida na semana passada.

Os rebeldes anunciaram ainda que tomaram dois dos três principais poços de petróleo de Deir al-Zour e afirmaram que estão extraindo combustível para apoiar a insurreição. "Estamos no começo do inverno e as pessoas precisam de óleo para suprir as padarias e aquecer suas casas. O clima está muito frio aqui", afirmou um líder opositor, que se identificou apenas como Abu Mohamed, por razões de segurança.

O avanço dos insurgentes no leste sírio demonstra o crescente poder dos combatentes rebeldes - principalmente de origem sunita - no levante que há 20 meses tenta depor o ditador, que pertence à minoria alauita, uma vertente do xiismo.

No norte, porém, ambos os lados estão encurralados num mortífero impasse há meses. Na madrugada de ontem, um bombardeio da Força Aérea - leal ao regime - danificou as instalações de um hospital de Alepo, a segunda maior cidade o país e um dos principais focos da rebelião, e trouxe abaixo um prédio ao lado do centro de saúde.

Pelo menos 15 pessoas morreram no ataque - entre elas duas crianças e dois funcionários do hospital - e cerca de 40 vítimas teriam sido soterradas pelos escombros.

Mortes. Segundo dados divulgados pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos, 40.129 pessoas foram mortas no país desde março de 2011 - 28.026 eram civis ou combatentes rebeldes, 1.379 eram desertores do regime e 10.150, soldados das forças leais ao governo, além de 574 pessoas que não foram identificadas.

A entidade opositora afirmou ainda que, na Província de Damasco, "combatentes rebeldes assassinaram o jornalista sírio Basel Yousef" na localidade de Tadamun. Segundo o grupo, os insurgentes "justificaram o crime chamando o jornalista de traidor", pois ele trabalhava para a mídia oficial do país. / REUTERS, AP e NYT

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