Mortos no Peru passam de 500

Segue busca de sobreviventes do terremoto de anteontem, que destruiu 4 cidades, sacudiu Lima e deixou 1.500 feridos

Jacqueline Fowks, LIMA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

Pelo menos 510 pessoas morreram e mais de 1.500 ficaram feridas no terremoto que atingiu o Peru na quarta-feira à noite, informou ontem o Corpo de Bombeiros. Equipes de resgate vasculhavam os escombros em busca de vítimas e as autoridades advertiam que o número de mortos deve aumentar. O chefe do Instituto Médico Legal pediu que os trabalhos de resgate dos corpos seja acelerado para evitar o risco de epidemias. Veja vídeo com imagens do momento do tremor Os institutos sismológicos, que na quarta-feira disseram que o terremoto havia sido de 7,9 graus na escala Richter, informaram ontem que a intensidade foi de 8 graus. Este foi o sismo mais forte sentido no Peru desde 1940. O Instituto Geofísico disse que ocorreram mais de 200 tremores secundários, que amedrontaram a população, fazendo com que muitos dormissem nas ruas. O terremoto, cujo epicentro ocorreu num ponto do Pacífico situado 145 quilômetros a sudeste de Lima, provocou o desabamento de milhares de casas e de pelo menos duas igrejas, além de cortes de energia e de comunicações.O presidente peruano, Alan García, declarou três dias de luto nacional. Ele visitou Pisco - cidade de 116 mil habitantes que fica a 236 quilômetros de Lima e foi uma das mais afetadas -, onde se reuniu com alguns ministros para discutir as medidas a ser tomadas. Dezenas de corpos permaneciam na praça central, pois o necrotério local não tinha condições de recebê-los. O prefeito de Pisco disse que pelo menos 200 pessoas foram soterradas em uma igreja católica que desabou durante a missa. O governo declarou alerta vermelho em todos os hospitais do país e estado de emergência na cidade de Ica - 265 quilômetros a sudeste de Lima -, a mais afetada pelo tremor. Alan García também foi de helicópteros a Ica, onde os hospitais de Ica tiveram suas estruturas danificadas e os pacientes foram abrigados provisoriamente em barracas de plástico. A cidade tem 120 mil habitantes. Dezessete pessoas morreram no desabamento de uma igreja - missas estavam sendo realizadas em todo o país na hora do terremoto, pois em 15 de agosto é celebrada a assunção da Virgem Maria. O desabamento de pontes e deslizamento parcial de morros próximos a um importante trecho da Rodovia Panamericana - a principal do país, entre Lima e o centro-sul do Peru - dificultava o envio de ajuda. Veículos 4x4, helicópteros e aviões são os únicos meios para levar auxílio às centenas de desabrigados nas localidades de Ica, Pisco, Chincha e Cañete, que tiveram 80% de sua infra-estrutura afetada.Augusto Torres, de 34 anos, que trabalha em Lima, mas tem família em Pisco, conseguiu chegar de carro até Chincha pela Rodovia Panamericana Sul (a 200 km de Lima) e teve de caminhar por três horas para reencontrar os parentes, de madrugada. A casa de sua família desmoronou, assim como as de milhares de outros moradores de Pisco. "O que vi é horrível. Saí de Pisco às 6 horas e estou caminhando até Chincha para poder voltar a Lima com minha família", afirmou Torres ao Estado.A angústia de quem sentiu o terremoto às 18h41 de quarta-feira continuou após os dois longos minutos de tremor, pois as comunicações telefônicas - fixas e móveis - foram interrompidas totalmente por duas horas e se restabeleceram aos poucos, embora ontem ainda não estivessem normalizadas. O serviço telefônico em Chincha, Pisco e Ica ainda não funciona. Depois de uma reunião com representantes das operadoras de telefonia no Peru, a vice-ministra de Comunicações, Cayetana Aljovín, informou que as empresas prometeram criar uma rede de emergência.O governo pediu a solidariedade da população e centralizou no aeroporto militar da capital o centro de recebimento de ajuda. García agradeceu a solidariedade de governos da América Latina, como Brasil, México, Chile, Venezuela e Colômbia, que ofereceram o envio de alimentos e remédios.BRASILO terremoto também foi sentido no Brasil, particularmente em Manaus, a 3.150 quilômetros do epicentro. Segundo Carlos Kléber Lopes Barbosa, da Secretaria de Defesa Civil, o tremor de 3 graus em Manaus foi sentido principalmente nos andares mais altos dos prédios (ler mais na pág. 13).COLABOROU DENISE CRISPIM MARIN

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