Mortos no terremoto são cremados

Centenas de corpos das vítimas do terremoto que atingiu a província chinesa de Qinghai, na quarta-feira, foram cremados ontem em uma cerimônia coletiva realizada por monges budistas tibetanos.

, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2010 | 00h00

Enquanto o imenso funeral era realizado, equipes de resgate enviadas por Pequim continuavam a busca por sobreviventes nos escombros da vila de Yushu, que veio quase toda abaixo com o tremor de 7,1 graus na escala Richter, ocorrido na manhã de quarta-feira na China (noite de terça-feira no Brasil). Segundo as autoridades, 417 pessoas continuam desaparecidas.

A chance de as equipes de socorro encontrarem sobreviventes é cada vez menor. Ontem se completou o período de 72 horas que especialistas consideram a "janela de oportunidade" para a localização de vítimas com vida nesse tipo de tragédia. Além do número de horas que se passaram, o frio de até cinco graus negativos à noite reduzia as chances de sobrevivência dos soterrados. A rede estatal CCTV disse que um sobrevivente havia sido encontrado em um hotel, mas o trabalho para resgatá-lo ainda não havia sido concluído até a manhã de ontem.

A atuação das equipes de socorro é dificultada pelo isolamento de Yushu, que fica a 800 quilômetros da capital de Qinghai, Xining, onde está o maior aeroporto da região. Segundo autoridades locais, o maior problema continua a ser o suprimento de produtos básicos, como água potável e comida.

"Funeral Celestial". Cerca de mil monges realizaram a cerimônia de cremação coletiva. Os religiosos construíram grandes plataformas sobre duas trincheiras cavadas em uma montanha nas imediações de Jiegu, que foi o epicentro do terremoto. Abaixo das plataformas havia pilhas de madeira e pneus. Os líderes religiosos cantavam e liam textos sagrados do budismo tibetano.

A região atingida pelo terremoto é habitada principalmente por tibetanos, que representam 97% da população local. Para eles, a realização de funerais é essencial para garantir que a alma dos mortos seja libertada e consiga seguir para sua próxima vida - budistas acreditam em reencarnação.

Em condições normais, os corpos dos mortos são desmembrados e deixados ao ar livre para serem comidos por abutres, no chamado "funeral celestial". No entanto, com a grande quantidade de mortos (1.144 até ontem), seguir a tradição tibetana tornou-se impossível.

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