Mortos podem chegar a 50 mil

Governo diz que tremor afetou diretamente 10 milhões, metade da população de Sichuan; presidente vai à província

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2008 | 00h00

O número de mortos no terremoto que atingiu a China na segunda-feira pode chegar a 50 mil, à medida que diminui a possibilidade de encontrar sobreviventes entre os milhares de soterrados. Segundo o governo, o tremor afetou diretamente cerca de 10 milhões de pessoas, o que corresponde à metade da população da região onde ocorreu o abalo, na Província de Sichuan (centro). O presidente Hu Jintao viajou na manhã de hoje à região para inspecionar o trabalho de resgate e consolar vítimas. Mais informaçõesTrês dias depois do terremoto, a China fez um apelo por doações "urgentes" de materiais de resgate. O Ministério da Indústria divulgou uma lista de 31 equipamentos, que incluem barcos de borracha, ferramentas de demolição, martelos, guindastes e máquinas capazes de detectar a existência de vida sob os escombros.O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que participa do socorro às vítimas, pediu doações de comida, água, barracas e medicamentos. Na quinta-feira, Pequim aceitou a oferta do Japão e permitiu que 80 especialistas japoneses viajassem à região afetada para ajudar nas operações de resgate. O terremoto alcançou 7,9 pontos na escala Richter e foi o mais violento na China desde 1976, quando pelo 250 mil pessoas morreram.As operações de busca continuavam ontem nas áreas atingidas, que pareciam campos de guerra, com dezenas de caminhões do Exército, milhares de militares, ambulâncias, médicos, voluntários e um mar de desabrigados. O som de sirenes é constante e a vida dos moradores atingidos gira em torno da tragédia.Na cidade de Dujiangyan, próxima do epicentro do terremoto, cenas de destruição estavam presentes em todos os lados e vários sobreviventes usavam máscaras cirúrgicas por causa do cheiro de corpos em decomposição. Na escola secundária onde 900 estudantes foram soterrados na segunda-feira, as buscas por sobreviventes foram interrompidas depois que equipamentos indicaram que não há mais vida sob os escombros. Apesar disso, pais e moradores da região arrancavam pedaços de concreto com as próprias mãos para tentar encontrar alunos vivos ou retirar os corpos dos mortos. No pátio do que era a escola, havia uma pilha de mochilas encontradas nos destroços.A população enfrenta longas filas para conseguir água, comida e medicamentos, e o governo tem um enorme desafio pela frente, que é a construção de novas moradias para os desabrigados. A estimativa oficial é que 4,3 milhões de casas foram comprometidas ou totalmente destruídas pelo abalo.Desde ontem, 2 mil soldados trabalham na reparação de uma grande barragem que sofreu rachaduras. O nível da represa foi reduzido para amenizar a pressão sobre a estrutura e reduzir o risco de que ela desmorone e inunde Dujiangyan, cidade de 600 mil habitantes. A agência Nova China afirmou que a estrutura é segura e não há risco de rompimento.A chancelaria chinesa informou que um alemão morreu no terremoto, o único estrangeiro morto até agora.

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