Mortos por causa de tufão podem chegar a 500, diz Taiwan

Segundo presidente, outras 320 pessoas estariam soterradas vivas desde o último fim de semana

BBC Brasil, BBC

14 de agosto de 2009 | 06h36

O presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, anunciou nesta sexta-feira, 14, que deve chegar a 500 o número de mortos por causa da passagem do tufão Morakot pelo país. Segundo ele, foram confirmadas as mortes de 120 pessoas até o momento. Além disso, de acordo com o presidente, cerca de 380 pessoas estariam soterradas vivas em um dos vários locais onde houve deslizamento de terra na vila de Hsiaolin. Esta é a primeira vez que o governo divulga números e estimativas desde que a ilha asiática foi atingida pelo tufão, no último fim de semana.

O Morakot provocou a pior enchente em Taiwan nos últimos 50 anos. As águas alagaram as estradas, derrubaram pontes e construções, e deixaram muitos vilarejos apenas com acesso por via aérea. Cerca de 1,4 mil sobreviventes foram resgatados de helicóptero na vila de Hsioalin, atingida por um desabamento que só poupou duas casas.

O governo diz ter recebido ofertas de ajuda humanitária vindas da comunidade internacional, incluindo a União Europeia e os Estados Unidos. Mas ressaltou que o que mais precisa é de grandes helicópteros de carga que possam levar escavadeiras e maquinário pesado necessário para ajudar a reabrir as estradas. O governo de Taiwan também pediu casas pré-fabricadas para ajudar os desabrigados.

Segundo a BBC, ao visitar a região mais atingida, no início desta semana, o presidente Ma disse aos familiares das vítimas - muitos deles revoltados - que não pouparia esforços para encontrar os desaparecidos. Muitas pessoas estão há dias esperando por notícias. O governo foi acusado de ter demorado para se dar conta da magnitude do desastre.

O tufão Morakot também atingiu a China continental, onde cerca de 1,4 milhão de pessoas foram retiradas das áreas costeiras, oito pessoas morreram nas enchentes e cerca de 10 mil casas foram destruídas.

 

Criticas ao governo

 

Se o presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, imaginava que seria tratado respeitosamente em sua visita aos sobreviventes do tufão Morakot, ele não podia estar mais enganado. No momento em que pisou em um campo de futebol que servia de pista de pouso para os helicópteros de resgate, Ma foi cercado por moradores furiosos, que o acusavam de não agir rápido o suficiente para ajudar as pessoas que ficaram isoladas após a passagem do Morakot, no fim de semana.

 

Enquanto o presidente era insultado pelos sobreviventes, uma chuva torrencial começou a cair e ele ficou ensopado – tudo transmitido ao vivo pela TV. Em outra ocasião, ele prometeu uma escavadeira para um camponês e, dias depois, o homem deu uma entrevista à TV dizendo que não tinha recebido a máquina e precisou alugar uma.

 

Com cenas como essas, o tufão transformou-se em um teste crucial para o presidente, do tipo que pode acabar completamente com sua carreira. Ex-prefeito de Taipei, Ma foi eleito no ano passado com uma alta margem de popularidade, mas já vinha perdendo apoio mesmo antes do Morakot. Diante das críticas, o governo de Ma reforçou o resgate, enviando mais 4 mil soldados para ajudar os 14 mil que já estavam em campo. Segundo Taipei, quase 15 mil pessoas já foram resgatadas.

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