Mortos por repressão a protestos no Peru chegam a 5

Manifestantes são contra instalação de mineradora em Cajamarca; presidente da região critica violência do governo federal

LIMA, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2012 | 03h05

A morte de um ativista, baleado enquanto protestava contra a instalação de uma mineradora em Cajamarca, no Peru, elevou ontem para cinco o número de mortos nos confrontos entre manifestantes e forças de segurança ocorridos entre terça e quarta-feira na região, onde há três dias vigora um estado de emergência imposto pelo Executivo.

A morte foi confirmada pelo presidente regional de Cajamarca, Gregorio Santos, que qualifica a maneira como o governo de Ollanta Humala reagiu às recentes manifestações de "irresponsável".

Na quarta-feira, outro ativista morreu durante um protesto ocorrido em Bambamarca, também foi reprimido com violência pelas autoridades peruanas.

Entidades sociais e moradores locais temem que o Projeto Minas Conga - avaliado em US$ 4,8 bilhões, financiados quase totalmente pela empresa americana Newmont - prejudique fontes de água da região.

O projeto estava parado desde novembro, após uma sucessão de protestos. Há quase duas semanas, após a mineradora Yanacocha - cujo capital pertence maioritariamente à companhia estrangeira - comprometer-se em preservar lagunas que secariam em virtude da extração de ouro e cobre e prometer contrapartidas sociais, o governo Humala concordou com a extração dos minerais na região.

O diretor de saúde de Cajamarca, Reinaldo Núñez Campos, afirmou em uma rádio local que José Antonio Sánchez Huamán, de 29 anos, foi atingido por um disparo na boca durante o protesto da terça-feira, em Celedín, e desde então estava em coma. Segundo o funcionário, o manifestante morreu às 6h45 locais (8h45 em Brasília).

"A violência aumentou o descontentamento social - uma responsabilidade política que o gabinete e o senhor Ollanta Humala têm de assumir", declarou o presidente regional de Cajamarca também a uma emissora de rádio.

"Quando alguém está incapacitado e é incompetente para chegar à população, recorre à força, às armas, ao fuzil", disse.

Santos tem usado o Twitter para pedir ajudas específicas a feridos nos confrontos - que, segundo ele, chegaram a 37 - e criticar a repressão determinada pelo Executivo federal. "São cinco as vítimas do governo OH (Ollanta Humala)", escreveu o presidente regional ao confirmar a morte de Sánchez.

Até ontem, Lima não havia emitido nenhum comentário sobre as críticas ou as mortes.

Diversos ativistas foram detidos esta semana, entre eles o ex-padre Marco Arana, que já foi libertado e denunciou ter sido agredido pelas autoridades dentro do posto policial onde esteve preso. / REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.