Mortos por terremoto passam de 8 mil, estima governo chinês

Tremor de 7,8 pontos na escala Richter foi sentido até em países vizinhos e pode ter deixado 10 mil feridos

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

12 de maio de 2008 | 11h56

O centro da China foi atingido nesta segunda-feira, 12, por um forte terremoto de 7,8 pontos na escala Richter, que foi sentido em várias cidades e em países vizinhos, como Tailândia, Vietnã e Taiwan. O terremoto provocou o desabamento de uma escola na província de Sichuan e 900 estudantes foram soterrados. O governo da província de Sichuan estimou que o fenômeno já causou 8.533 mortes e deixou mais de 10 mil feridos, segundo informou a agência estatal Xinhua e fontes provinciais. Confirmados oficialmente até o momento, entretanto, há 107 mortos, segundo a agência de notícias Nova China   Veja também: Jovens soterrados por terremoto na China 'gritavam por ajuda' De Pequim, Cláudia Trevisan fala sobre o terremoto Bush oferece ajuda às vítimas de terremoto na China Premiê chinês pede 'calma, confiança, coragem e organização' Fotos do terremoto  Caminho da tocha pode ser mudado após terremoto na China Vídeo com imagens do terremoto    Os números de vítimas vão aumentando aos poucos, mas as localidades a um raio de menos de 100 quilômetros do epicentro já afirmaram que a devastação é imensa e os mortos nestes lugares são contados aos milhares. Na cidade de Chongqing, ao sul de Sichuan, cinco crianças morreram e outras 100 ficaram feridas com o desabamento de outra escola. O serviço de resgate da cidade já retirou 50 corpos dos escombros.    O terremoto começou às 14h28, horário local (3h28 de Brasília). Sete minutos depois, um novo tremor de menor intensidade -3,9 pontos na escala Richter - foi registrado em Pequim. Várias cidades da região centro-leste do país foram atingidas por terremotos.   Em todas elas, milhares de moradores e empregados de empresas deixaram os edifícios onde estavam e foram para as ruas, com medo de que os tremores se repetissem. Em Xangai, o mais alto edifício da cidade, a Jin Mao Tower, de 88 andares, foi evacuado.   O epicentro do tremor foi o distrito de Wenchuan, que tem 112 mil habitantes e fica 146 quilômetros ao noroeste de Chengdu, capital da província central de Sichuan. Mas o impacto foi sentido a centenas de quilômetros de distância. Só em Beichuan, distrito a 50 quilômetros do epicentro, calcula-se que cerca de 3 mil pessoas morreram.   Testemunhas nas regiões afetadas de Sichuan e Yunnan afirmaram terem visto "cidades inteiras" reduzidas a escombros, enquanto vários feridos e afetados são atendidos no meio da rua por equipes médicas. Aeroportos de cidades como Chengdu ficaram fechados temporariamente, e muitos vôos procedentes e com destino ao oeste e centro da China foram suspensos.   Terremotos acontecem com freqüência na China. Em março, um tremor de 7,2 pontos atingiu a província de Xinjiang, no oeste do país.   Foto: AP     Operações de resgate   A Cruz Vermelha da China enviou 557 tendas de campanha e 2.500 cobertores a Wenchuan. Além do material de salvamento, enviado da capital provincial Chengdu e avaliado em US$ 113 mil, segundo a agência oficial Xinhua, 5.000 efetivos do Exército de Libertação Popular chinês foram enviados ao local, que se unem aos 2.900 soldados já em Sichuan.   Além disso, a Cruz Vermelha enviou uma equipe de resgate para que avalie a situação nas zonas atingidas e coordene a evacuação das vítimas para zonas mais seguras, diante do temor de possíveis réplicas.   Dois helicópteros da Força Aérea chinesa foram ao cenário da catástrofe para ajudar nos trabalhos de salvamento, para os quais o presidente da China, Hu Jintao, pediu "todo o esforço possível."   O país inteiro se mobilizou com a catástrofe: o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, viajou em caráter de urgência à região do epicentro, de onde pediu aos chineses para terem "calma, confiança, coragem e organização eficiente" para superar o desastre e pediu às equipes de resgate para "superarem o medo e o cansaço."   O oeste do país, região de atrito das placas tectônicas Indiana e Asiática, registra freqüentemente sismos de maior ou menor intensidade, mas em várias ocasiões acontecem em locais pouco povoados ou inabitados.   O pior terremoto sofrido pela China nas últimas décadas aconteceu em 1976 na cidade de Tangshan, a 200 quilômetros a sudeste de Pequim, também de 7,8 graus na escala Richter, que matou entre 240 mil e 280 mil pessoas   (Matéria ampliada às 15h50) (Com agências internacionais)  

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