Moscou acha impossível que Assad abandone o poder

Rússia ainda acredita em uma solução negociada para pôr fim na crise síria, que, segundo a oposição, já deixou 45 mil mortos

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2012 | 02h02

A Rússia indicou ontem que ainda acredita em uma solução política para resolver o conflito na Síria, mas admite que é impossível convencer o presidente Bashar Assad a abandonar o poder. O chanceler russo, Serguei Lavrov, reuniu-se ontem em Moscou com o enviado da ONU e da Liga Árabe, Lakdhar Brahimi, para tentar buscar uma solução negociada para a crise no país do Oriente Médio, que, segundo a oposição ao ditador sírio, já deixou mais de 45 mil mortos.

Para Brahimi, a Síria tem apenas o "inferno ou o processo político" como opção. Ele pediu à comunidade internacional que trabalhe para encontrar uma solução negociada.

"O conflito está piorando. Mas concordamos que há a possibilidade de uma solução política", disse Lavrov em uma entrevista coletiva.

Analistas consideram que a Rússia, a única potência mundial que mantém laços estreitos com o regime de Damasco, mudou de posição nas últimas semanas, diante da evidência de que as possibilidades de sobrevivência política de Assad são cada vez mais escassas.

Mas Lavrov afirmou que Assad permanece aferrado ao poder: "Assad repete tanto em público quanto de modo privado que não pretende sair, que permanecerá no cargo. Não parece possível que mude de posição".

A visita de Brahimi coincide com uma crescente atividade diplomática em Moscou, como demonstram as visitas pouco comuns, esta semana, do vice-chanceler sírio e de um diplomata egípcio à capital russa.

Na quinta-feira, o vice-chanceler russo, Mikhail Bogdanov, afirmou que Moscou propôs a Damasco uma negociação com a oposição reunida no Coalizão Nacional Síria. Mas o líder da CNS - criada em novembro com o apoio dos países ocidentais -, Ahmed Moaz al-Khatib, manifestou pouco entusiasmo com a proposta e disse que as negociações não poderão ser realizadas em Moscou. Khatib também afirmou que a Rússia tem de pedir desculpas por "interferir" nos assuntos sírios, condenar as "matanças" cometidas pelo regime e fazer um "pedido claro para a saída" de Assad. A Rússia ignorou os países ocidentais ao rejeitar suspender a cooperação militar com o governo Assad e vetou resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra Damasco.

Ofensiva. Na Síria, forças leais ao regime conquistaram ontem um distrito da cidade de Homs após ataque violento. "O Exército lança há vários dias uma ofensiva contra o bairro de Deir Baalbeh, com intensos bombardeios e combates contínuos, provocando a retirada dos rebeldes", afirmou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. / REUTERS

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