Suliman el-Oteify/AP
Suliman el-Oteify/AP

Moscou considera hipótese de atentado terrorista no acidente aéreo no Sinai

Pela primeira vez autoridades russas reconhecem a possibilidade de um ataque promovido por grupos extremistas; ideia já era apoiada por Grã-Bretanha e EUA

O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 15h21

MOSCOU - O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, reconheceu nesta segunda-feira, 9, que Moscou considera a hipótese de atentado terrorista como uma das causas possíveis do acidente com o Airbus A-321 que caiu em 31 de outubro no Egito, matando todas as 224 pessoas a bordo.

"A possibilidade de um atentado terrorista, claro, se mantém como uma das causas do que ocorreu", disse Medvedev em uma entrevista ao jornal Rossiyskaya Gazeta que será publicada na terça-feira.

Essa é a primeira vez desde o desastre aéreo que um responsável russo se refere de forma direta à versão de um atentado como causa da catástrofe, uma hipótese apoiada também por outros países como Grã-Bretanha e EUA.

O chefe do governo russo disse que a investigação sobre as causas do fato ainda está em andamento e é preciso esperar.

Medvedev também se referiu à decisão ordenada na sexta-feira pelo presidente russo, Vladimir Putin, de suspender todos os voos ao Egito até que se saiba por que o avião caiu pouco depois de decolar de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai, com destino à cidade russa de São Petersburgo.

De acordo com o decreto de Putin, desde sexta-feira os aviões russos voam ao Egito vazios, e voltam com passageiros, turistas russos que devem deixar para trás suas bagagens - exceto as de mão - que são embarcadas em outros aviões diferentes. Por motivos de segurança, elas estão sendo enviadas em aviões de carga fretados pelos Ministérios de Defesa e de Situações de Emergência, e a companhia aérea Volga-Dniepr.

O governo russo estimou nesta segunda-feira em quase 25 mil o número de turistas que retornaram do Egito desde que Putin suspendeu os voos ao país. Segundo as previsões do Executivo, serão necessárias quase duas semanas para repatriar os milhares de russos que estão no Egito.

O porta-voz do Kremlin reconheceu hoje que a Grã-Bretanha entregou à Rússia dados secretos sobre as causas da catástrofe com a aeronave russa. Serviços secretos britânicos e americanos acreditam que uma bomba foi colocada no avião.

Israel. O ministro de Defesa de Israel, Moshe Yaalon, disse hoje que há uma “grande probabilidade” de a queda do avião ter sido causada pela explosão de uma bomba. Ele afirmou que “ficaria surpreso” se um artefato explosivo não tivesse causado o acidente.

“Há uma grande probabilidade de que isso tenha sido um ataque terrorista promovido por um dispositvo explosivo”, destacou Yaalon. Ele mencionou que Israel não está envolvido nas investigações e acrescentou que sua opinião tinha como base “o que ouviu e entendeu”. /EFE e ASSOCIATED PRESS

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