Moscou corta gás e ameaça Bielo-Rússia

A "guerra fria" travada em torno do fornecimento de gás pela Rússia ao Leste Europeu teve um novo capítulo ontem. A estatal petrolífera russa Gazprom anunciou o corte em 15% do suprimento de gás à Bielo-Rússia por dívidas. Caso a resistência dos compradores em saldar o débito persista, os cortes podem chegar a 85% do volume transferido das jazidas russas, levando a economia bielo-russa ao colapso.

Andrei Netto, correspondente em Paris, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

O início dos cortes foi informado pela manhã pelo diretor-geral da Gazprom, Alexei Miller. A empresa estatal acusa o governo bielo-russo de não pagar cerca de ? 160 milhões, fruto da diferença entre o preço cobrado por Moscou e o valor que o país europeu admite pagar pelo produto.

Segundo Miller, Misk havia admitido a dívida, fazendo uma proposta de pagamento com máquinas, equipamentos e produtos. No domingo, uma primeira rodada de negociações foi realizada em Moscou, e a Gazprom optou pelo início do corte progressivo, que pode chegar até a 85%.

A pressão econômica surtiu efeito. Ontem, o vice-primeiro-ministro bielo-russo, Vladimir Semashko, anunciou que pretende efetuar o pagamento.

"Nós pagaremos, não hoje, mas provavelmente em duas semanas. Nós encontraremos um meio. Talvez tomemos empréstimos, mas reembolsaremos a dívida", reiterou.

Mesmo que o abastecimento de gás não esteja prejudicado na Europa Ocidental, o assunto voltou à agenda dos líderes políticos nas principais capitais do bloco. A maior preocupação da União Europeia é a dependência do fornecimento de gás russo.

Um eventual continuidade dos cortes causaria menor impacto agora, já que o consumo do combustível cai substancialmente no verão do hemisfério norte. Mas a partir do outono, em setembro, a tendência se inverte. Se o impasse prosseguir, a Europa pode ter de remanejar o suprimento de seus estoques, já que 20% do gás que chega à região circula por dutos instalados em território bielo-russo.

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